EFEBruxelas

A Comissão Europeia (CE) apresentou esta terça-feira a proposta oficial para a redução de uma série de tarifas nas suas trocas comerciais com os Estados Unidos, a primeira negociada entre as duas partes em mais de duas décadas e que poderá dar início ao degelo nas relações entre ambos.

Os Estados Unidos vão também reduzir as tarifas sobre produtos europeus, pelo que ambas as potências partilham o objetivo de aumentar o volume de acesso americano ao mercado europeu e vice-versa em cerca de 200 milhões de euros por ano.

Nos termos do acordo, que ambos avançaram a 21 de agosto, a União Europeia (UE) eliminará as tarifas sobre as importações de lagosta viva e congelada dos EUA, produtos dos quais foram exportados 94,3 milhões de euros para o território comunitário em 2017.

Washington, por sua parte, vai reduzir as suas tarifas em 50% numa gama de produtos europeus, incluindo alimentos preparados, louça de vidro, produtos de tratamento de superfícies, cargas de propulsores, isqueiros e peças para isqueiros.

As exportações comunitárias destes produtos para os Estados Unidos ascendem a uma média anual de 136 milhões de euros.

Tanto Bruxelas como Washington aplicarão as reduções de forma retroativa desde o último 1 de agosto.

Na proposta que envia ao Parlamento e ao Conselho, a Comissão Europeia afirmou ser "um primeiro passo para reduzir as tensões comerciais bilaterais e apoiar a resolução de litígios em curso", referindo-se ao processo na Organização Mundial do Comércio para avaliar a legalidade da ajuda estatal europeia à Airbus e da ajuda americana à Boeing.

A UE e os EUA têm mantido uma relação complicada desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, que impôs tarifas sobre o aço e o alumínio europeus, entre outros produtos, e ameaçou punir comercialmente o potente setor automóvel europeu.

O vice-presidente executivo da CE, Valdis Dombrovskis, que a partir de hoje é comissário designado para o Comércio, disse em comunicado que este é um acordo com o qual "ambas as partes ganham" e que Bruxelas vê no pacto "um passo importante rumo à melhoria da relação" com os Estados Unidos.

"Continuamos dispostos a aprofundar a relação transatlântica onde for possível", sublinhou Dombrovskis.

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