EFEBruxelas

O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, reiterou esta quarta-feira que se deve evitar a retirada prematura das medidas excecionais de apoio fiscal postas em prática pelos Estados durante a pandemia, porque embora a recuperação económica já tenha começado, ainda existe "muita incerteza".

"Precisamos de uma posição fiscal de apoio e isto deve continuar. Temos de evitar uma retirada prematura das medidas de apoio, não podemos arriscar uma recessão em forma de W", disse Gentiloni no Parlamento Europeu durante um debate sobre as políticas económicas da Zona Euro em 2020.

O comissário refere-se a um período de tempo em que a economia entra em recessão, recupera com um curto período de crescimento e depois regressa à recessão antes de recuperar totalmente.

Neste sentido, Gentiloni confirmou que vai continuar vigente no próximo ano a cláusula de salvaguarda do Pacto de Estabilidade e Crescimento, que foi ativada pela primeira vez na história em março passado para permitir aos países desviarem-se dos seus objetivos fiscais para responderem de forma decisiva à pandemia.

A Comissão vai avaliar a situação a respeito das regras comunitárias sobre o controlo do défice e da dívida na próxima primavera.

O comissário italiano salientou que as consequências sociais da crise começam a fazer-se sentir mais fortemente e apontou que grupos anteriormente já vulneráveis, tais como pessoas com emprego precário ou crianças desfavorecidas, são os mais afetados pela situação económica deixada pela pandemia.

Neste sentido, salientou que a atenuação do impacto social deve ser um "objetivo principal" do Mecanismo de Recuperação e Resiliência que será o principal pilar do futuro Fundo de Recuperação pós-pandemia, de 750.000 milhões de euros.

Este dinheiro, disse Gentiloni, deve ser utilizado "não para voltar à normalidade mas sim para construir economias mais sustentáveis, resistentes e competitivas".

Para tal, disse, será fundamental uma "revolução de competências" para preparar a sociedade para os novos empregos que virão com as transições verde e digital, mas também um esforço para aumentar a qualidade do emprego e os salários mínimos e reduzir a pobreza e a desigualdade.

(Mais informação sobre a União Europeia em euroefe.euractiv.es)