EFEMadrid/Barcelona (Espanha)

Os conselhos administrativos do CaixaBank e do Bankia aprovaram esta quinta-feira a fusão entre as duas instituições financeiras, que vai resultar no maior banco de Espanha e o décimo maior da Europa, com ativos superiores a 664.000 milhões de euros.

O novo banco, que terá sede na cidade de Valência, utilizará como única marca a do CaixaBank, cujo CEO, Gonzalo Gortázar, irá comandá-lo ao lado do atual presidente do Bankia, José Ignacio Goirigolzarri.

Os detalhes do acordo deverão ser revelados esta sexta-feira durante uma conferência de imprensa em Valência que contará com a participação das direções do CaixaBank e do Bankia.

Para ser concretizada, a fusão deverá receber ainda a autorização dos órgãos públicos de regulação, além de ser votada pelas respetivas direções de acionistas dos dois bancos.

MAIOR FUSÃO DE BANCOS NA HISTÓRIA RECENTE DE ESPANHA

O caminho que o CaixaBank e o Bankia começaram a trilhar esta quinta é o processo de fusão de maior envergadura do setor bancário espanhol nas últimas décadas e ocorre num momento complicado devido à baixa rentabilidade das entidades financeiras e à crise causada pela COVID-19, que deve provocar um aumento da inadimplência.

O gigante que surgirá da fusão terá cerca de 664.000 milhões de euros em ativos (445.600 milhões do CaixaBank e 218.450 milhões do Bankia), de acordo com os dados correspondentes ao primeiro semestre de 2020 apresentados pelas duas empresas.

A união entre o CaixaBank e o Bankia fará com que o setor tenha três grandes protagonistas em Espanha: a nova entidade que manterá o nome CaixaBank; o Santander e o BBVA.

O CaixaBank conta atualmente com 35.589 funcionários e 4.460 agências, e o Bankia com 15.947 e 2.267, respetivamente.

É possível que o processo de fusão inclua demissões e o fecho de agências. Embora não exista nenhuma informação oficial a esse respeito, algumas fontes do setor acreditam que 7.500 trabalhadores possam ser dispensados.

Também foi aprovado nesta quinta-feira o conselho administrativo do novo banco, que será formado por 15 membros, 10 deles independentes, dois executivos - Gonzalo Gortázar e José Ignacio Goirigolzarri - e outros três representantes dos principais acionistas. A CriteriaCaixa, holding que gere o património da Fundacão La Caixa, escolherá dois deles, e o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB), representando o Estado espanhol, nomeará o terceiro.

O FROB é o maior acionista do Bankia, com 61,81% do capital, como consequência da particição do Governo no resgate à companhia durante a crise bancária de 2012.

Apesar da sede do novo banco estar localizada em Valência -cidade onde se encontra o escritório central do CaixaBank desde 2017-, as bases operacionais e os serviços centrais ficarão distribuídos entre Barcelona e Madrid.

Com a fusão, o Bankia vai desaparecer como marca e colocar um ponto final a uma década de história, período no qual enfrentou momentos difíceis, como a entrada na bolsa de valores, um escândalo de corrupção e uma operação de ajuda estatal em 2012.

Na ocasião, Goirigolzarri propôs um plano de recuperação do banco que levou Espanha a pedir o apoio dos restantes membros da União Europeia para que fossem injetados mais de 22.400 milhões de euros.

Por isso, o banco resultante da fusão entre Bankia e CaixaBank terá como particularidade o fato de ter o Estado espanhol como segundo maior acionista por tempo indeterminado.