EFEBruxelas

A Comissão Europeia (CE) pediu o reforço da cooperação internacional na luta contra o branqueamento de capitais, uma reação às informações do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) que apontam para o envolvimento de grandes bancos como JPMorgan, HSBC ou o Deutsche Bank em esquemas de branqueamento de capitais.

"Enfrentar este problema é um desafio global. Está relacionado com a garantia da eficácia dos padrões contra a lavagem de dinheiro à volta do mundo", disse esta terça-feira em conferência de imprensa diária da CE o porta-voz comunitário Daniel Ferrie.

Segundo a análise do ICIJ, realizada a partir de documentos secretos do Governo americano, as referidas entidades e outras, como o Standard Chartered Bank ou o Bank of New York Mellon, terão continuado a beneficiar com esses negócios apesar de terem sido sancionadas, algumas até avisadas sobre um possível processo penal.

O porta-voz comunitário, que disse que a CE está a par dessas informações e que assegurou que "lutar contra a lavagem de dinheiro é uma grande prioridade" para Bruxelas, evitou mencionar entidades concretas, mas indicou que a Comissão "seguiu o tema muito de perto e realizou as suas próprias investigações".

"Temos reforçado na UE as nossas regras contra o branqueamento de capitais, que são agora as mais estritas do mundo", e "também tivemos a trabalhar para intensificar a supervisão ao nível europeu" e na "implementação das normas existentes", acrescentou Ferrie.

O porta-voz referiu-se ao plano esboçado pela Comissão Europeia no passado mês de maio para travar o branqueamento de capitais e combater o financiamento do terrorismo.

Nesse sentido, a Comissão Europeia estuda a criação de um supervisor único na União Europeia para prevenir o branqueamento de capitais dado que o sistema atual, baseado na vigilância das autoridades nacionais, não evitou recentes escândalos nos Países Baixos, Estónia ou Letónia.

Espera-se que a proposta concreta se dê a conhecer no primeiro semestre de 2021.

"Entendemos que os EUA estão também a trabalhar num marco mais eficaz contra a lavagem de dinheiro, e estamos comprometidos a trabalhar com os Estados Unidos e com todos os nossos parceiros globais neste assunto", acrescentou o porta-voz.

Nos últimos anos, a UE implementou diversas normas para prevenir o branqueamento de capitais com duas diretrizes aprovadas em 2015 e 2018, mas a maioria dos Estados ainda não as introduziu nas suas legislações nacionais, apesar do prazo para o fazer já ter expirado.

A Comissão tem expedientes por este motivo abertos a vários países, entre os quais Espanha.

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