EFERecife (Brasil)

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, afirmou esta quarta-feira que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) "vai reforçar os compromissos ambientais" e ampliar, de maneira recíproca, os mercados agrícolas dos dois blocos.

"O acordo Mercosul-UE vai aumentar a competitividade da indústria e dos serviços nas duas regiões em relação ao resto do mundo e reforçará os compromissos ambientais de ambas as regiões, para além de expandir reciprocamente os mercados agrícolas de forma sustentável", escreveu Araújo no Twitter.

O chefe da diplomacia brasileira não fez qualquer menção direta à mensagem do presidente francês, Emmanuel Macron, um crítico frequente das políticas ambientais do governo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e que condicionou o acordo ao compromisso do Brasil relativamente à preservação da Amazónia.

Num vídeo gravado com produtores rurais do seu país, Macron propôs a criação de uma "soja europeia" para pressionar o Brasil a honrar os seus compromissos ambientais e a reduzir a desflorestação e os incêndios na Amazónia e no Pantanal.

"Continuar a depender da soja brasileira seria o mesmo que apoiar a desflorestação da Amazónia. Somos coerentes com as nossas ambições ecológicas, estamos a lutar para produzir soja na Europa ou o seu equivalente", disse o líder francês.

Sem mencionar as declarações de Macron, Araújo disse que "o Brasil está pronto a demonstrar a todos os países europeus que o acordo Mercosul-UE não ameaça o ambiente e, especificamente, que a soja brasileira não destrói a Amazónia".

"A verdade, o acordo favorece o desenvolvimento sustentável nas suas três dimensões: ambiental, social e económica", disse Araújo, que expressou a sua "satisfação" com a reunião virtual realizada esta terça-feira com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva.

"Vamos trabalhar para fazer avançar o Acordo UE-Mercosul, que traz vantagens estratégicas para ambos. Vamos continuar a apoiar projetos na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e pela democracia na Venezuela", disse Araújo em relação à presidência portuguesa do Conselho da UE no primeiro semestre.