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O chefe dos serviços de inteligência britânicos dedicados à segurança externa, o MI6, Richard Moore, alertou esta terça-feira para o uso que a China supostamente faz da informação financeira de outros países a fim de exercer influência por todo o mundo.

Moore concedeu uma entrevista à emissora britânica BBC Radio 4 na qual indicou que os espiões do país precisam de ajuda por parte do setor tecnológico para poder combater as "crescentes ameaças" que enfrentam.

O responsável pela inteligência do Reino Unido explicou que, como a tecnologia é cada vez mais complexa, os especialistas do MI6 precisem agora de ajuda do exterior para poder lidar com os novos desafios, considerando ainda que este serviço de espionagem precisa de "uma mudança".

No caso da China, o responsável pelo MI6 disse que esse país conta com a capacidade de "recolher informação de todo o mundo" e apontou que Pequim tem usado "armadilhas de dívida e armadilhas de informação" para manter países e indivíduos "presos".

"Caso se permita que outro país ganhe acesso a dados realmente críticos sobre a sua sociedade, isso com o tempo vai danificar a sua soberania e deixar-se de ter o controlo dessa informação", explicou Moore quanto a essa suposta ameaça que a China representa.

Perguntado por outros temas, reconheceu que a avaliação feita sobre o progresso dos talibãs em Cabul no último verão -quando esse regime obteve o controlo do Afeganistão- foi "claramente equivocada", mas negou que a queda de Cabul possa ser atribuída a "uma falha dos serviços de inteligência".

Entre outras questões abordadas, o chefe do MI6 reconheceu que o Reino Unido tem "um problema crónico" com a Rússia e a Ucrânia e que a Rússia representa "uma ameaça séria" para o seu país.

Relativamente a esse assunto, recordou que o presidente russo, Vladimir Putin, deixou claro que não reconhece o direito da Ucrânia a ser um estado independente.

"De vez em quando temos crise à volta da Ucrânia e estamos preocupados como é que essas tropas evoluem e quais poderão ser as intenções do presidente Putin", disse.