EFEPequim

A China expressou esta quarta-feira a sua confiança de que irá chegar a um acordo comercial com os Estados Unidos e ressaltou que a reunião entre o presidente chinês Xi Jinping e o chefe de Estado americano, Donald Trump, no fim de semana passado foi "muito bem-sucedida".

"Confiamos no cumprimento dos consensos (aos quais China e EUA chegaram durante o encontro)", afirmou esta quarta-feira o Ministério do Comércio chinês num breve comunicado publicado no seu site.

Segundo o ministério, as equipas económicas e comerciais de ambas partes vão trabalhar "ativamente" durante os próximos 90 dias seguindo o calendário e o guião estabelecidos após o encontro dos dois presidentes.

"A China começará a implementar aspectos específicos sobre os quais há consenso assim que for possível", acrescentou o ministério chinês.

Xi e Trump mantiveram no fim de semana passado em Buenos Aires, em paralelo à cimeira do G20, um jantar de trabalho no qual estabeleceram uma trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Após esse encontro, as duas potências concordaram em ampliar consultas "nos próximos 90 dias", um período no qual os EUA aceitaram deixar em 10% as tarifas sobre 200.000 milhões de dólares em produtos chineses a partir de 1 de janeiro de 2019, e não elevá-las por enquanto para 25%, como estava previsto.

A China, por sua vez, comprometeu-se a aumentar as importações de produtos agrícolas americanos e designar o fentanilo como "substância controlada", além de impor duras penas a quem comerciar essa substância, algo exigido por Washington a fim de conter a epidemia de dependência a opiáceos nos Estados Unidos.

O anúncio fez com que os mercados financeiros abrissem na segunda-feira com fortes subidas, após semanas de preocupação sobre o resultado do encontro entre Trump e Xi e os possíveis efeitos negativos sobre a economia global.

No entanto, com o passar do tempo, os comentários de funcionários americanos mostraram que o acordo era mais uma declaração de intenções do que um pacto estabelecido definitivamente.

Além disso, na segunda-feira soube-se que Trump tinha designado como chefe negociador com a China o representante de Comércio Exterior dos EUA, Robert Lighthizer, conhecido pelas suas críticas frontais às políticas comerciais de Pequim.

No total, os EUA impuseram tarifas sobre 250.000 milhões de dólares em produtos chineses desde julho, e Pequim aplicou como represália medida recíprocas sobre mais de 60.000 milhões em importações americanas, quase a metade dos 130.000 milhões que comprou em 2017.