EFEPequim

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, pediu esta segunda-feira aos Estados Unidos que ajustem as suas políticas, eliminem as tarifas impostas aos produtos chineses e abandonem "preconceitos e suspeitas injustificadas" sobre o país asiático para melhorar as relações, deterioradas durante o Governo do ex-presidente Donald Trump.

"Esperamos que os Estados Unidos ajustem as suas políticas o mais rápido possível, eliminem as tarifas impostas aos produtos chineses e levantem as sanções às empresas e instituições chinesas. Os Estados Unidos precisam de abandonar a supressão injustificada do progresso tecnológico da China", disse Wang num fórum sobre laços entre os dois países, segundo o site da Chancelaria chinesa.

Da mesma forma, Wang pediu aos EUA para parar de "difamar o Partido Comunista da China (CPP)" e "apoiar os separatistas que procuram a independência de Taiwan" e pediu ao novo Governo de Joe Biden que se abstenha de "prejudicar a soberania e segurança da China com ataques a Hong Kong, Xinjiang e Tibete".

Sobre as duas últimas regiões, Wang disse que "são um exemplo do avanço dos direitos humanos na China", e que se beneficiaram das políticas de erradicação da pobreza extrema no país.

O diplomata reconheceu que nos últimos anos as relações bilaterais chegaram ao seu ponto mais baixo "desde que as relações diplomáticas foram estabelecidas" e culpou o Governo anterior de Trump por ter cometido "grandes erros de julgamento".

"As medidas repressivas que lançou causaram danos incalculáveis", disse o chanceler.

Segundo Wang, "o novo Governo dos Estados Unidos está a avaliar a sua política externa. Esperamos que os Estados Unidos voltem à racionalidade para um desenvolvimento saudável dos seus laços com a China".

Para que as relações entre os dois países voltem ao caminho certo, é necessário "derrubar os muros da intolerância" e tentar "compreender melhor a China", assim como "respeitar-se mutuamente" e "não interferir nos assuntos um do outro", disse Wang.

"Não podemos pensar em mudar, suprimir ou derrotar o outro. Isso não vai a lugar nenhum, e simplesmente não é possível. A China está aberta ao diálogo, como sempre. Esperamos manter uma comunicação franca com os Estados Unidos", disse o chefe da diplomacia chinesa.

Wang acrescentou que a China está pronta para coordenar políticas e trabalhar com os Estados Unidos na luta contra a covid-19, as mudanças climáticas e a recuperação económica global, três áreas que considerou mais urgentes.

Além disso, pediu um melhoria do intercâmbio entre os dois países a um nível cultural ou educacional, que, na sua opinião, tinha sido "desnecessariamente envenenado" durante a era Trump.

As relações entre os EUA e a China deterioraram-se drasticamente durante o mandato de quatro anos de Trump, a ponto de os dois países estarem a passar por um dos seus piores momentos desde o estabelecimento de relações em 1979.

Além da imposição mútua de tarifas comerciais, a situação levou ao fecho do Consulado dos Estados Unidos na cidade de Chengdu, em resposta ao fecho anterior dos chineses em Houston.

Acrescenta-se a isso a inclusão de empresas chinesas na lista do Departamento de Defesa dos Estados Unidos acusadas de serem controladas pelo Exército chinês ou as acusações por conta da origem do coronavírus, da nova lei de segurança chinesa para Hong Kong ou a situação dos direitos humanos das minorias muçulmanas na região de Xinjiang, noroeste da China.