EFEGenebra

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), que engloba grande parte das companhias aéreas mundiais, advertiu que a recuperação que o setor mostrou nos números do mês de outubro, publicadas esta quinta-feira, se vê ameaçada pela nova onda de restrições impostas para combater a variante Ómicron.

O cancelamento total de ligações aéreas a países onde a variante foi inicialmente detetada, principalmente no sul de África, "foi feito contra os conselhos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e põe em perigo a recuperação do transporte aéreo", sublinhou a associação em comunicado.

"O levantamento das restrições de viagens nos EUA para 33 países no mês passado avivou as esperanças de um ressurgimento da procura, mas a emergência da variante Ómicron causou o pânico em muitos países que novamente eliminaram a liberdade de viajar", lamentou o diretor-geral da IATA, Willie Walsh.

"As proibições de viajar são tão pouco eficazes como fechar um estábulo quando o cavalo já fugiu", lamentou Walsh, salientando que a OMS desaconselhou medidas tão drásticas.

A procura de voos no mês de outubro foi 49,4% menor que no mesmo mês de 2019 (a IATA não leva em conta os dados de 2020 devido à paralisação que a pandemia causou então no setor), mas em setembro a descida tinha sido maior, de 53,3%.

O impacto da crise sanitária nos voos internacionais continuou a ser alto, com uma descida de 65,5% em outubro relativamente ao mesmo mês de 2019, enquanto nos voos domésticos a queda foi menor, de 21,6%.

A América do Norte foi a região menos afetada, com uma descida da procura em outubro de 24%, enquanto na América Latina a queda foi de 33%, na Europa de 45% e na Ásia Pacífico, onde as restrições ainda são bastante altas em muitos países, de 66%.