EFEDavos (Suíça)

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, disse esta sexta-feira que desconhece as ideias concretas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a reforma do organismo que tanto reclama.

"Não há dúvida de que os EUA e o presidente Trump têm articulado claramente que querem mudanças na OMC", declarou Azevêdo numa conferência de imprensa após uma reunião informal com 35 ministros de Comércio que participaram no Fórum Económico Mundial de Davos.

Durante a sua participação nesta reunião anual, Trump disse que o seu país participa nas discussões para reformar a OMC, uma organização que desde a sua perspetiva trata os Estados Unidos "de maneira injusta", em particular quando se trata da resolução dos seus conflitos comerciais com outros países.

O presidente americano avançou que deseja que a reforma implique "uma estrutura completamente nova" como condição para chegar a um acordo que permita, entre outras coisas, que o Órgão de Apelação da OMC volte a funcionar.

Os EUA bloqueiam há três anos a designação de novos membros (sete numa situação normal) dessa instância, que deixou de operar no passado mês de dezembro pois o mandato de dois dos seus três últimos integrantes estava a terminar.

Até a uma solução deste confronto, a OMC não poderá emitir decisões em instância de apelação relativos aos litígios comerciais entre países.

Apesar de Trump ter levado o caso da OMC a Davos, Azevêdo disse que não conhece nem a "profundidade" nem a "amplitude" da reforma proposta pelo país membro mais importante, mas confirmou que o presidente americano o convidou a discutir sobre o tema.

No entanto, sobre quando essas discussões irão acontecer, o responsável pela OMC assinalou que não conta com detalhes concretos.