EFEZamora

Os novos fundos Next Generation da União Europeia para a reconstrução pós-pandemia "são um teste fundamental do que é o ADN da UE, a solidariedade", disse esta quarta-feira María Ángeles Benítez, diretora da Comissão Europeia em Espanha.

"A UE é uma união de solidariedade com todos os seus defeitos, e estes fundos têm este objetivo no seu nome porque estão pensados para os jovens, as gerações futuras, que estão chamados a implementá-los e a beneficiar deles", disse Benítez no encerramento do encontro informativo "Histórias Transfronteiriças de Coesão" realizado hoje na localidade espanhola de Zamora.

Organizado pela Agência EFE com o apoio da Direção-Geral de Política Regional da Comissão Europeia (DGRegio) e da Deputação de Zamora, o encontro abordou como aproveitar esses fundos europeus de recuperação.

"Estes fundos são um feito histórico; é a primeira vez que a União Europeia se endivida nos mercados internacionais em tempo recorde para angariar um montante recorde, 750.000 milhões de euros".

Benítez recordou que um dos eixos fundamentais do plano espanhol é a coesão social e territorial e, neste sentido, salientou que, apesar da descentralização de competências em Espanha devido ao modelo autónomo, "para nós o plano de recuperação e resiliência é um projeto de país. Queremos que todo o país construa um consenso através deste plano".

A responsável da CE em Espanha recordou, contudo, que para além dos fundos Next Generation EU que estão prestes a chegar, "por vezes no nosso debate nacional esquecemo-nos dos outros fundos da UE que estão, estiveram e vão continuar".

E citou entre eles "os fundos estruturais, a Política Agrária Comum, dotada de 365.000 milhões de euros, os fundos New Horizon Europe, que duplicou a sua dotação orçamental, os fundos de coesão ou o programa Erasmus, que também duplicou a sua dotação".

Benítez salientou que os jovens são "uma prioridade horizontal que se reflete em todos os programas" e encorajou todos os cidadãos, e especialmente os jovens, a enviar os seus pedidos e sugestões à Conferência sobre o Futuro da Europa que a Comissão criou para ouvir o que as pessoas esperam da Europa.

Parafraseando o escritor José Luis Sampedro, que disse que "a Europa é como um chefe que nunca atende o telefone", Benítez disse que "agora a Europa está a atender o telefone".

A diretora da Comissão deu hoje a razão a vários dos oradores no fórum de Zamora, especialmente empresários que lamentaram a lentidão da burocracia envolvida no acesso aos fundos europeus, e salientou que a administração pública deve simplificar os procedimentos, embora "isto não deva ser confundido com a eliminação dos controlos sobre a despesa pública".

"Outra coisa é o ritmo da administração, que não é o mesmo que o das empresas, e temos de fazer esforços nesta área", acrescentou.

Sobre a cooperação transfronteiriça entre as regiões de Espanha e Portugal, Benítez afirmou que "é uma satisfação ver que esta cooperação se está a materializar em toda a Raia" tendo em conta os vários projetos que a Agência EFE tem vindo a relatar ao longo de um ano em crónicas e reportagens transfronteiriças.