EFEBerlim

Os empresários alemães não descartam que os "coronabonds" ou alguma forma de agrupamento da dívida na UE acabem por se impor no bloco caso a pandemia de coronavírus se agravar.

Num documento publicado esta segunda-feira, a poderosa Federação da Indústria Alemã (BDI) descreve a situação económica na Alemanha, na Europa e no resto do mundo após a propagação da Sars-Cov2 e não exclui os polémicos "coronabonds".

A organização recorda que na UE se discutiu "intensamente" nos últimos anos sobre obrigações comuns com garantias comuns" devido às questões jurídicas e práticas que suscitam.

A BDI reconhece que não existe qualquer proposta de aplicação "rápida", mas não exclui que nos próximos meses possam existir condições para se chegar a um consenso sobre o lançamento desta fórmula de apoio financeiro aos países mais afetados pela crise da COVID-19 com o apoio creditício dos 27.

"Do mesmo modo, não se pode excluir que estes pré-requisitos sejam alcançados nos próximos meses, a fim de contrariar a possível expansão da crise de uma forma ainda mais decisiva e proporcionada", afirma o texto.

No relatório de 27 páginas intitulado "O Impacto do Coronavírus na Economia Global. Política financeira e económica na recessão", considera-se que a UE deve fazer mais para ajudar a ultrapassar "a maior recessão" desde a II Guerra Mundial.

"Os pacotes de apoio fiscal e estímulo na UE não são suficientes. Na Europa, a nível supranacional pode-se e deve-se dar um contributo essencial. Após o final da quarentena deve começar um programa de reconstrução a longo prazo", acrescenta.

O relatório considera que serão necessárias mais medidas fiscais e monetárias a nível mundial para apoiar a recuperação económica depois da crise sanitária.

O BDI também publica as suas próprias previsões de evolução do produto interno bruto (PIB) para as principais economias. "Não se pode evitar uma forte recessão nos Estados Unidos, na Europa e no Japão este ano", diz o relatório.