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A Endesa obteve no ano passado um lucro líquido de 1.394 milhões de euros, oito vezes mais que os 171 milhões que registou em 2019, quando o resultado foi afetado pelo fecho antecipado das centrais de carvão.

Sem esse efeito e outros fatores extraordinários, o lucro líquido da companhia alcançaria os 2.132 milhões, mais 36% que os 1.582 milhões que conseguiu em 2019 com este conceito, segundo informou a sociedade à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).

As receitas subiram no conjunto do ano a 17.560 milhões de euros, menos 12,9% que os 20.158 obtidos um ano antes; além disso, como consequência da pandemia de coronavírus, a companhia assumiu um impacto de 120 milhões no seu ebitda, lucro bruto de exploração.

A Endesa irá distribuir a totalidade do seu lucro líquido de 2020 entre os seus acionistas, segundo indica no seu comunicado, e a partir deste ano vai empreender a uma redução progressiva do "payout", a percentagem do lucro destinada ao pagamento a acionistas, desde 80% até ao 70% anunciado para 2022 e 2023.

O seu objetivo é adequar o aumento do investimento previsto para os próximos anos: 7.900 milhões entre 2021 e 2023, e 25.000 milhões até 2030.

A Endesa continuou em 2020 com a sua política de descarbonização, e os fechos em junho das centrais de Compostilla e Andorra representaram a redução de 43% da potência instalada (2.100 MW).

A companhia prevê manter esta tendência ao longo deste ano, com o fecho dos outros 2.500 MW distribuídos nas regiões espanholas de As Pontes e Carboneras, o que deixará apenas 200 MW operativos com esta tecnologia, localizados nas ilhas Baleares.

Deste modo, apenas 1% das receitas da Endesa foram do seu negócio de geração de carvão, e a proporção de eletricidade procedente deste combustível fóssil sobre o total da eletricidade produzida pela companhia foi apenas 2,5% durante 2020.

O volume de potência instalada em fontes renováveis (hidráulica, solar e eólica) cresceu em 400 MW, até fechar o ano em 7.800 MW; este aumento da potência "limpa", unido ao retrocesso da capacidade instalada de carvão, colocou a produção elétrica da Endesa livre de emissões de CO2 na Península Ibérica de 85%.

Ao todo, a produção de eletricidade de fontes renováveis aumentou 33%, até 13,4 terawatts por hora.

O investimento bruto executado pela companhia em 2020 reduziu-se 19%, até 1.600 milhões de euros, em parte pelo abrando sofrido por alguns projetos de centrais renováveis durante o confinamento.

Relativamente à sua dívida, esta ficou em 6.899 milhões de euros no fim do ano, mais 8,2% que no período anterior.

O diretor-executivo da empresa, José Bogas, destaca no comunicado que a Endesa conseguiu ultrapassar o impacto da covid-19 e assumiu o processo de transição energética, que "deve ser justa, assim como o golpe do coronavírus", contra o qual foi desenvolvido um plano de responsabilidade pública de 25 milhões de euros.