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A Endesa prevê ter um lucro líquido de 5.700 milhões de euros no período 2022-2024, e nesse último ano irá dedicar 70% do seu ganho a dividendos (tal como em 2022 e 2023, depois de o ter reduzido a 80% em 2021 desde o 100% aplicado até 2020).

A companhia, participada em 70% pelo grupo italiano Enel, publicou esta quinta-feira na Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) a revisão do seu plano estratégico, no qual prevê que o lucro líquido passe de 1.700 milhões de euros estimados para 2021 a 2.000 milhões em 2024, uma subida de quase 18%, com um crescimento acumulado no período de 6%.

A Endesa, que espera um investimento para o período 2022-24 de 7.500 milhões de euros, frente aos 7.900 milhões do plano 2021-2023, o que representa menos 5% (redução consequência do menor investimento elegível do Fundo de Recuperação da UE), calcula distribuir 5.100 milhões de euros em dividendos no período 2021-2024.

Dos 7.500 milhões de investimentos previstos para o período 2022-2025, 80% serão destinados a energias renováveis e redes de distribuição, com o qual a potência instalada de fontes renováveis irá crescer 48%, até 12.300 megawatts (MW).

Especificamente, o investimento em renováveis vai subir a 3.100 milhões, enquanto a nova potência renovável da Endesa irá rondar os 4.000 MW, 90% dos quais serão solares e os restantes eólicos, com um crescimento em renováveis de uma média de 1.300 MW anuais no período.

Para digitalização de redes, o plano contém 2.900 milhões (mais 12% que no período 2021-2023), 1.300 milhões destes destinados à digitalização dessas infraestruturas.

O investimento em negócios de comercialização irá aumentar 25%, até a 500 milhões de euros no período 2022-2024, e a companhia prevê que os clientes no mercado liberalizado aumentem até 5,8 milhões em 2024.

No caso da Endesa X, que engloba o negócio de mobilidade e de soluções energéticas, o investimento aumentará 30%, até 220 milhões de euros, em comparação com o plano anterior, e 100 milhões desta quantia serão para pontos de carregamento de veículos elétricos, que irão chegar aos 46.000 no final do período.

Por outra parte, a Endesa estima que o lucro operacional (ebitda) para o fecho de 2021 será à volta de 4.000 milhões de euros e de 4.700 milhões em 2024, mais 18% que no final deste ano, com um crescimento acumulado de 6% no período.

IMPACTO DAS MEDIDAS DO GOVERNO ESPANHOL NA DÍVIDA

A Endesa prevê terminar 2021 com entre 9.500 e 10.500 milhões de euros de dívida, o que dependerá do impacto final tido no capital circulante causado pelas extraordinárias condições do mercado deste ano e as medidas fiscais e regulamentares adotadas pelo Governo espanhol para conter a subida dos preços da eletricidade.

A companhia espera que a partir de 2022 o investimento previsto e o pagamento de dividendos sejam na sua maioria cobertos com o fluxo de caixa, levando o aumento da dívida a cerca de 300 milhões adicionais que colocariam o passivo à volta de 10.700 milhões ao final do plano.

A companhia, que ontem se soube, que à semelhança do resto do grupo Enel, irá deixar o negócio do gás até 2040, explicou também que essa descarbonização total será conseguida com o começo da sua nova capacidade renovável -que fará com que 40% da geração total seja livre de emissões em 2021, 70% em 2030 e 100% em 2040-, e a hibridação de renováveis com armazenamento e hidrogénio verde.

Os outros eixos de atuação para a total descarbonização serão a saída do carvão em 2027, da produção elétrica com gás em 2040 e do negocio retalhista de comercialização de gás.

ENDESA AMPLIA INVESTIMENTOS PARA 2030 EM 22%, ATÉ 31.000 MILHÕES

A Endesa também informou, pelo segundo ano consecutivo, coincidindo com a apresentação da atualização do plano, a sua visão da companhia para 2030, e estimou investimentos de 31.000 milhões entre 2021 e 2030, mais 22% que na visão que apresentou no ano passado.

40% serão para aumentar o parque renovável, outro 40% para a rede de distribuição (12.000 milhões), enquanto o negócio de comercialização e a Endesa X absorverão 4.100 milhões até ao final da década.