EFEGenebra

Os Estados Unidos acusaram hoje a China de se aproveitar de ser um Estado membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) para não desmantelar as suas políticas, "incompatíveis com o sistema de comércio internacional" e, por outro lado, se tornar num dos seus principais atores.

Isso ao mesmo tempo em que "mantém o seu enfoque mercantilista do comércio e dos investimentos dirigidos pelo Estado em detrimento dos EUA e outros membros da OMC, das suas indústrias e trabalhadores", disse o embaixador americano nesta entidade, Dennis Shea.

Na jornada dedicada pela OMC à revisão das políticas comerciais recentes da China, Shea sustentou que a situação "é de fato pior que há cinco anos", em referência à última vez que a China se submeteu a este exercício obrigatório para todos os países que fazem parte da instituição.

Os EUA criticaram fortemente a China pelos seus subsídios estatais e outros mecanismos que utiliza para apoiar a sua indústria nacional, o que -acrescentou- frequentemente gera desvantagem e prejudica a concorrência estrangeira.

Entre as acusações que o representante da Administração do presidente Donald Trump lançou contra a China destacam-se as de gerar condições desvantajosas para as importações de bens e serviços, oferecer um tratamento preferencial às empresas estatais e proteger de forma inadequada os direitos de propriedade intelectual.

O embaixador Shea disse que a OMC "não dispõe de todas as ferramentas necessárias para corrigir esta situação".

Desde a chegada de Trump à presidência, a princípios de 2017, os EUA adotaram uma posição globalmente protecionista frente ao que considera a concorrência desleal da China, abrindo uma "guerra comercial" que se confirmou com a decisão do primeiro de aumentar as tarifas ao alumínio e ao aço, medida que afeta vários países.

A situação agravou-se após se conhecer esta terça-feira que os EUA vão aplicar novas tarifas contra 10% de produtos chineses importados, por um valor de 200.000 milhões de dólares.

Isso após a entrada em vigor na sexta-feira passada de tarifas por um valor inicial de 34.000 milhões de dólares -como parte de um primeiro pacote que devia totalizar os 50.000 milhões de dólares-, ao que a China respondeu com medidas idênticas.