EFEWashington

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos deixou esta segunda-feira de usar a classificação de "manipuladora de divisas" em relação à China, um gesto de aproximação dois dias antes da assinatura da primeira fase do acordo comercial entre os dois países.

"A China cumpriu compromissos comprováveis para evitar desvalorizações competitivas e vai promover transparência e responsabilidade", afirmou o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

Foi justamente a pasta comandada por Mnuchin que divulgou na segunda um relatório macroeconómico com o anúncio de que a China deixaria a categoria de "manipuladora de divisas", na qual estava incluída desde agosto do ano passado.

A China está agora numa "lista de vigilância", que o governo dos EUA usa para classificar parceiros comerciais que merecem uma "atenção especial" sobre as suas práticas monetárias.

Além do gigante asiático, outras nove nações aparecem nessa lista: Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Singapura, Suíça e Vietname.

O Departamento do Tesouro tinha incluído a China entre os "manipuladores" numa época de acerbamento da guerra comercial entre os dois países. A medida foi anunciada logo após o Banco Popular da China (PBC) deixar o iuane se desvalorizar para mais de sete unidades por dólar, o que não acontecia desde 2008.

A decisão foi divulgada dois dias antes do presidente americano, Donald Trump, e do vice-primeiro-ministro chinês Liu He, que liderou a equipa de negociações da China durante a disputa comercial, assinarem um acordo que dará início ao processo de resolução do conflito.

Após quase 18 meses de guerra comercial e a consequente escalada tarifária, Trump anunciou em meados de dezembro o acerto da primeira fase de um pacto com a China.

O acordo inclui a manutenção de tarifas americanas de 25% sobre 250 mil milhões de dólares em produtos importados da China, além de tarifas reduzidas para 7,5% sobre 120 mil milhões em outras exportações chinesas para os EUA.

As tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, que começaram no ano passado, tiveram consequências profundas. Nas suas últimas previsões de crescimento mundial, divulgadas em outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de expansão em dois décimos face à estimativa feita em julho, passando a apontar uma subida de 3%, por influência da instabilidade causada pela disputa.