EFEWashington

O Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou esta terça-feira as previsões de crescimento global neste ano para 5,9%, menos uma décima do que o estipulado três meses atrás, devido à propagação da variante delta do coronavírus e os problemas nas cadeias globais de distribuição.

"A recuperação continua, mas o impulso fragilizou-se, arrastado pela pandemia", afirmou a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, no relatório "Perspetivas Económicas Globais".

O relatório, no entanto, não apresentou alterações para as estimativas referentes a 2022, que apontam para um crescimento mundial de 4,9%.

Os Estados Unidos, com crescimento previsto de 6%, e a China, com de 8%, continuam a ser os grandes motores da economia mundial neste ano, embora, nos dois casos, o FMI tenha baixado as estimativas, num ponto no caso americano e numa décima no chinês.

De acordo com o relatório, a redução referente aos EUA acontece devido à moderação no consumo no terceiro trimestre de 2021 e às alterações na cadeia de distribuição, enquanto que no caso da China é resultado de uma retirada no investimento público "mais rápido do que o esperado".

Gopinath afirmou que há "grandes divergências" na evolução económica devido à pandemia, em grande parte como reflexo do diferente acesso às vacinas entre os países avançados e os em desenvolvimento, o que representa um motivo de "preocupação" para o FMI.

"Enquanto mais de 60% da população em economias avançadas tem já a vacinação completa, alguns até já a receber doses de reforço, cerca de 96% da população nos países de rendimentos baixos continua sem estar vacinada", alertou a economista.

O relatório do fundo indica ainda que as economias avançadas irão recuperar os níveis económicos anteriores à pandemia em 2022, enquanto as em desenvolvimento, com exceção da China, terão que aguardar alguns anos para tal.

Sobre outros países, a Índia voltará a registar o maior crescimento, com uma taxa de 9,5% em 2021, a mesma previsão já feita em junho. Já a Rússia irá crescer 4,7%, mais três décimas do que o antecipado três meses atrás.