EFESan Salvador

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou esta terça-feira que El Salvador "elimine a qualidade de moeda de curso legal" do bitcoin e manifestou "preocupação" com a emissão de títulos apoiados pela criptomoeda.

O FMI informou em comunicado que o Diretório Executivo da entidade concluiu na segunda-feira a consulta do artigo IV com El Salvador, na qual foi analisada a abordagem da pandemia de covid-19 e a implementação do bitcoin como método de pagamento.

El Salvador tornou-se em setembro do ano passado um laboratório mundial das criptomoedas ao adotar o bitcoin como moeda de curso legal.

De acordo com o FMI, "a adoção de uma criptomoeda como moeda de curso legal implica graves riscos para a integridade financeira e o mercado, a estabilidade financeira e a proteção do consumidor, e pode gerar passivos contingentes".

A entidade pediu que as autoridades "limitem o âmbito da Lei Bitcoin, eliminando o seu estatuto de curso legal", e manifestou a sua preocupação sobre "os riscos associados à emissão de títulos apoiados por bitcoin".

El Salvador planeia emitir títulos de bitcoin entre fevereiro e março deste ano, segundo revelou recentemente o ministro das Finanças, Alejandro Zelaya, que espera que a "estratégia seja bem-sucedida".

O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, anunciou em 21 de novembro do ano passado o projeto chamado Bitcoin City, inicialmente financiado com obrigações da criptomoeda, motivo pelo qual o governo irá emitir títulos de bitcoin por 1.000 milhão de dólares.

O FMI destacou a importância de promover a inclusão financeira e reconheceu que os meios de pagamento digitais, como a carteira eletrónica Chivo, podem desempenhar um papel no projeto. Contudo, sublinhou a necessidade de reforçar a regulação e a supervisão deste novo ecossistema e do bitcoin.