EFEWashington

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a baixar as previsões de crescimento da economia mundial, para 3% este ano e 3,4% em 2020, devido à aguda "deterioração" da atividade manufatureira e do comércio.

Esses novos números representam quedas duas e uma décima, respetivamente, em relação às previsões divulgadas pela instituição em julho.

"A economia global está numa travagem forte sincronizada e estamos, de novo, a rever em baixa o crescimento para 2019 a 3%, o seu ritmo mais baixo desde a crise financeira global", explicou a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, ao apresentar o relatório de Perspetivas Económicas Globais.

Gopinath ressaltou que o arrefecimento económico "deve-se a uma aguda deterioração da atividade manufatureira e do comércio global, com maiores tarifas e uma prolongada incerteza que prejudica o investimento e a procura de bens de capital".

Tanto a China como os Estados Unidos, protagonistas da guerra comercial, tiveram rebaixadas as suas previsões de crescimento. De acordo com os novos cálculos do FMI, a China crescerá 6,1% neste ano e 5,8% no próximo, menos uma e duas décimas, respetivamente, do que os números previstos em julho, e abaixo dos 6,6% de 2018.

Já os EUA crescerão 2,4% em 2019, menos duas décimas que a previsão anterior, e 2,1% em 2020, mais duas décimas que a previsão de julho, o que representa uma clara moderação após o aumento do PIB de 2,9% registado em 2018.

Gopinath classificou o crescimento económico como "precário" e ressaltou que o crescimento do comércio no primeiro semestre de 2019 foi de 1%, "a taxa mais baixa desde 2012".

O FMI também baixou as previsões para a Zona Euro, que deve crescer 1,2% neste ano e 1,4% no próximo, uma e duas décimas abaixo do cálculo anterior, devido às piorias da Alemanha e Itália.