EFEElmau (Alemanha)

O G7, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo, conseguiu um compromisso para destinar 5.000 milhões de dólares (cerca de 4.700 milhões de euros) para abordar a insegurança alimentar causada pela guerra na Ucrânia, disse esta terça-feira um alto funcionário da Casa Branca.

Desse montante, pouco mais de metade, 2.760 milhões de dólares (cerca de 2.600 milhões de euros), serão fornecidos pelos Estados Unidos para apoiar os esforços em cerca de 50 países e organizações regionais, disse a fonte num telefonema com repórteres.

O funcionário disse que a contribuição dos EUA será dividida em 2.000 milhões de dólares (cerca de 1.890 milhões de euros) "para salvar vidas com intervenções humanitárias diretas e 760 milhões (cerca de 718 milhões de euros) para assistência alimentar a médio e curto prazo, para ajudar a melhorar a resiliência e produtividade dos sistemas alimentares do mundo, particularmente em regiões vulneráveis".

A fonte governamental americana culpou o presidente russo, Vladimir Putin, pela "vulnerabilidade" que se verifica em diferentes partes do mundo em termos de segurança alimentar.

"As suas ações estrangularam a produção alimentar e agrícola, usou os alimentos como arma de guerra", disse o funcionário, citando como exemplos a destruição por parte da Rússia de armazéns agrícolas na Ucrânia, assim como o roubo de cereais e o bloqueio dos portos ucranianos.

A fonte disse que, segundo as suas estimativas, até 40 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza em 2022 "como resultado da guerra de Putin na Ucrânia e dos seus efeitos secundários, especialmente em termos de segurança alimentar global".

A crise alimentar resultante do bloqueio russo ao trigo ucraniano foi uma das questões abordadas pelos líderes do G7 (EUA, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá e Japão) e da União Europeia, que concluirão esta terça a cimeira que têm realizado no Castelo de Elmau, na Baviera (Alemanha).

A Rússia e a Ucrânia representavam 25% das exportações de trigo e 15% das de cevada, entre outras mercadorias, pelo que a guerra entre ambos, juntamente com as sanções e o bloqueio marítimo russo no Mar Negro, agravaram a crise alimentar mundial que já tinha surgido durante a pandemia.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que os preços do trigo aumentaram 56% num ano, os preços dos óleos vegetais subiram 45% e os preços dos fertilizantes, outro produto do qual a Rússia e a Ucrânia são grandes exportadores, cresceram 128%.