EFETóquio

O ex-presidente da Nissan Motor, Carlos Ghosn, atualmente foragido da justiça japonesa, afirmou esta segunda-feira que a companhia nipónica se encontra numa situação financeira "lamentável" e "sem visão" para se adaptar à transformação que indústria do automóvel atravessa.

Durante um encontro virtual com a imprensa, Ghosn fez uma avaliação do atual estado da companhia que comandou durante quase duas décadas, cargo do qual foi afastado devido à sua detenção no final de 2018 por uma série de irregularidades financeiras que o ex-dirigente define como uma "conspiração" contra si.

"Criei demasiados inimigos ao tomar as decisões corretas para a Nissan", afirmou Ghosn, que assinalou que quando tomou as rédeas do fabricante japonês de veículos no final dos anos 90 esta era "uma empresa aborrecida, pouco inspiradora e à procura de um motivo para existir".

O antigo executivo, que se encontra foragido no Líbano desde finais de 2019, mantém desde então que o processo judicial contra si é um "complô" no qual participaram tanto os seus detractores dentro da Nissan como a procuradoria japonesa e o Ministério da Indústria e Transporte do país.

"Não posso achar que isto tenha acontecido sem a participação do Governo", disse Ghosn durante a sua conferência de imprensa virtual organizada pelo Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão, onde voltou a comparar a justiça japonesa "com um sistema de tomada de reféns".

Na sua opinião, os motivos pelo qual a "velha guarda" da Nissan e as autoridades japonesas o quiseram afastar do poder foram o seu mandato renovado à frente da aliança Renault-Nissan em 2018 e a intenção da companhia francesa de liderar essa empresa conjunta, um projeto ao qual ele próprio se opunha, segundo disse.