EFEAtenas

O Governo grego respirou hoje de alívio por ter podido fechar o terceiro resgate, após uma sessão maratonista do Eurogrupo que concluiu com um acordo que vai permitir ao país financiar-se pelos seus próprios meios mas que o manterá sob a estreita vigilância dos credores.

"Foi um acordo histórico para a dívida. Foi um acordo que foi além do que os mercados esperavam", afirmou hoje o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, ao informar ao presidente da Grécia, Prokopis Pavlopoulos, dos resultados.

Tsipras ressaltou que graças à extensão dos prazos de amortização dos empréstimos, a dívida tornou-se sustentável.

Recalcou, no entanto, que o fecho do resgate não implica que a Grécia possa "deixar o caminho das reformas e da gestão prudente", mas significa que deixa "o caminho espinhoso da austeridade".

Os compromissos estão definidos, mas de agora em diante os Governos gregos "terão a liberdade de escolher que políticas aplicam para conseguir estes objetivos", acrescentou.

O ministro das Finanças, Euclides Tskalotos, procurou lançar uma mensagem promissora à população ao prometer que as consequências do acordo deverão materializar-se em breve.

O crescimento não virá só "para uns poucos, mas para muitos". "Essa é a promessa do Governo grego", assegurou Tsakalotos desde o Luxemburgo.

O acordo fechado esta madrugada no Luxemburgo amplia em dez anos os vencimentos dos empréstimos do segundo resgate, de uns 22 a 32 anos, e adia em dez anos, desde 2023 até 2033, a data em que a Grécia deve começar a devolver estes créditos e os seus juros.

Além disso, prevê um desembolso de 15.000 milhões de euros da última tranche, que vai engrossar os colchões de reservas até aos 24.100 milhões de euros e permitirá à Grécia cobrir as suas necessidades de financiamento durante 22 meses sem necessidade de recorrer aos mercados.

Os parceiros vão devolver a Atenas os juros gerados pela dívida grega do Banco Central Europeu (BCE) e dos bancos centrais da Zona Euro em pagamentos semestrais até 2022, o que se traduz num desembolso aproximado de 1.200 milhões anuais.

Este desembolso estará, no entanto, condicionado a que a Grécia siga com todo o rigor todos os compromissos adquiridos, o que será supervisionado a cada três meses, o dobro da frequência aplicada aos outros países que assinaram programas de assistência financeira.

Entre estes compromissos encontra-se manter um excedente primário de 3,5% do produto interno bruto (PIB) até 2022, e de 2,2% nos 37 anos posteriores até 2060.

O Governo de Tsipras deverá além disso aplicar as reformas pós-resgate aprovadas já a priori -um novo corte às pensões e a redução do mínimo isento de tributação-, duas medidas que geraram novas críticas entre a população e levaram a oposição a falar de um "quarto" programa de reformas, só que desta vez sem assistência financeira.

O principal partido da oposição, a conservadora Nova Democracia, sustentou que o acordo não fornece nenhuma redução ou perdão, apenas uma série de medidas "nada espetaculares".

A Nova Democracia prometeu que uma vez que assuma o Governo "vai corrigir" os "maus resultados" apresentados por Tsipras.