EFEBudapeste

O primeiro-ministro húngaro, o ultranacionalista Viktor Orbán, anunciou esta sexta-feira que o seu Governo vai criar um fundo próprio de reconstrução face ao esperado atraso do desembolso de fundos europeus para sair da crise causada pela pandemia de coronavírus.

A Comissão Europeia condicionou a entrega de cerca de 7.000 milhões de euros à Hungria a algumas reformas legais no país.

"O que vejo é que a Comissão vai pedir mais dois meses" para analisar e aprovar os projetos de reconstrução húngaros", disse Orbán.

"O tempo é importante, pelo que o Governo dediciu criar um fundo de recuperação húngaro", acrescentou o primeiro-ministro na sua declaração semanal à rádio pública Kossuth, embora não tenha explicado como isto será feito.

"Se o dinheiro não chega desde Bruxelas, iniciamos nós os programas que já foram aprovados. Depois o dinheiro vem quando vier", ressaltou.

Segundo explicou na semana passada o comissário europeu de Economia, Paolo Gentiloni, a Comissão tem várias dúvidas relacionadas com o Estado de direito ou os mecanismos de licitação pública na Hungria.

DEFESA DOS MENORES

A Comissão diz que espera reformas relativamente à corrupção e ao Estado de direito na Hungria, ao que Orbán respondeu hoje dizendo que "Bruxelas está a atacar a Hungria" por causa da sua lei de defesa dos menores.

"Estão a chantagear e a adiar o pagamento do dinheiro que nos corresponde", salientou o primeiro-ministro.

Orbán refere-se a uma polémica lei, considerada por muitos parceiros europeus como homofóbica, que relaciona homossexuais com pedofilia e que proíbe falar sobre homossexualidade nas escolas.

O primeiro-ministro húngaro afirmou que Bruxelas quer que a Hungria permita a entrada de ativistas LGBT+ nas suas escolas, algo que a Comissão Europeia desmentiu.

"Não podemos ceder, pois trata-se dos nossos filhos", disse Orbán, reiterando que o seu Governo irá organizar um referendo sobre a questão, que poderá ser realizado no início de 2021 "para defender a legislação" adotada este mês.