EFEAtenas

O comissário europeu de Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, destacou esta sexta-feira em Atenas a necessidade que a Grécia respeite em 2020 os requisitos do período pós-resgate e que a quarta avaliação da sua economia realizada pelas instituições credoras seja positiva.

Dentro da sua décima quarta e última visita à Grécia como comissário, Moscovici afirmou em conferência de imprensa que o objetivo de um excedente primário -que exclui o serviço da dívida- de 3,5% do produto interno bruto (PIB), que a Grécia deve conseguir até 2022, deve ser alcançado em 2020.

Expressou além disso o seu desejo que este alvo, cuja redução é reivindicada pelo novo Governo conservador, seja reduzido no futuro.

"Nem a Comissão Europeia (CE) nem eu acreditámos que fosse possível exigir a um país um excedente primário de 3,5% do PIB para sempre. É necessário trabalhar conjuntamente para reduzi-lo", destacou.

Segundo Moscovici, para isso é necessário que a Grécia cumpra este objetivo em 2020 e que aumente o ritmo de crescimento da sua economia.

Além disso, o comissário ressaltou a necessidade que haja um acordo entre o Governo e as instituições credoras do país sobre o impacto dos alívios fiscais que o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, anunciou para as empresas no início de setembro, que representam uma redução das receitas do Estado de 1.230 milhões de euros.

A estes acrescentam-se as ajudas sociais aprovadas pelo Governo anterior, liderado por Alexis Tsipras, em maio passado, com uma redução anual das receitas do Estado de mais de mil milhões de euros.

Os representantes das instituições credoras do país consideram que todas estas medidas tornam inalcançável o objetivo do excedente primário de 3,5% para 2020, enquanto o Governo e o banco central do país afirmam que será alcançado graças ao aumento do ritmo de crescimento.

Moscovici destacou que um relatório positivo da quarta avaliação pós-resgate por parte das instituições credoras contribuiria para o aumento da credibilidade do país entre os investidores.

"Temos regras comuns e objetivos comuns. A Grécia não está num quarto memorando, é o seu Governo que vai decidir quais serão as medidas necessárias para cumprir com as regras", afirmou o comissário.

Além disso, afirmou que dia após dia os pontos de vista do Governo e dos credores aproximam-se, mostrando-se otimista a respeito de conseguir um acordo antes da apresentação do relatório de avaliação em novembro.