EFEPequim

A economia chinesa vai continuar a crescer a um ritmo forte, apesar dos sinais de arrefecimento, e irá representar 27% da produção mundial em 2030, segundo o último relatório sobre o país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresentado hoje em Pequim.

No seu relatório de 2019 sobre a China, o organismo económico internacional considera que "fatores estruturais" estão a desacelerar o crescimento chinês, mas destaca que, comparado com padrões internacionais, este continua a ser "robusto".

A OCDE prevê 6,2% de crescimento para este ano e 6% para 2020, o que será o avanço mais lento em quase 30 anos.

Em 2018 a economia do gigante asiático -que fornece atualmente perto de quarta parte do crescimento global- cresceu 6,6%, e o Governo chinês prevê que suba entre 6 e 6,5% este ano.

Mesmo assim, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita chinês vai dobrar em 2020 o existente em 2010 e daqui a 2030 a China irá contribuir mais ao crescimento global do que todos os países da OCDE no seu conjunto, segundo o relatório.

"A China continua a ser o maior motor do crescimento económico mundial e a sua convergência com as economias avançadas continua apesar do arrefecimento", afirmou o vice-secretário-geral da OCDE, Ludger Schuknecht, durante a apresentação do estudo em Pequim.

Entre os fatores que desaceleram a expansão económica, o texto destaca o envelhecimento da população e a diminuição das pessoas em idade de trabalho.

A economia continua a reequilibrar-se e os fatores que mais impulsionam o crescimento são os serviços e o consumo, que beneficia por sua vez do baixo desemprego e do crescimento dos salários.

Contudo, o enfraquecimento da economia global e as tensões comerciais criam "incerteza" sobre as exportações, o que afeta especialmente as pequenas e médias empresas.

"Uma maior escalada das tarifas à importação que os exportadores chineses enfrentam terá um impacto mais severo na atividade, no emprego e nos lucros empresariais", adverte-se no texto.

A OCDE constata que o Governo chinês fez frente à fraqueza das exportações com medidas de estímulo como redução de impostos, facilidade de acesso a créditos ou investimentos em infraestruturas, mas alerta que estas políticas correm o risco de aumentar a avultada dívida corporativa, mais alta que noutras grandes economias.

"A China está ainda numa encruzilhada, enfrenta grandes desafios internos e externos para manter a sua forte posição a longo prazo. A política deve perseguir ou assegurar uma economia que funcione melhor e que proporcione um crescimento estável e inclusivo para todos", resumiu Schuknecht.