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A Organização Mundial do Turismo (OMT) confia que em 2022 as chegadas de turistas internacionais recuperem entre 30 e 78% face a 2021, embora irão continuar pelo menos 50% abaixo dos níveis pré-covid.

O último Barómetro da OMT reflete que no final de 2021 as chegadas de turistas internacionais cresceram 4% em todo o mundo, apesar de ainda estarem 72% abaixo dos níveis pré-pandemia. Além disso, o segundo semestre foi melhor que o primeiro.

A organização das Nações Unidas assinala que o cenário incerto é também marcado por outras tensões, como as derivadas dos elevados preços do petróleo, o aumento da inflação, a possível subida das taxas de juro, os elevados volumes de dívida e as contínuas ruturas da cadeia de fornecimento.

A reviravolta do setor, sobretudo na Europa e América, juntamente ao aumento da vacinação e a coordenação das restrições de viagem, pode permitir a recuperação da confiança nas viagens e acelerar a recuperação do turismo mundial em 2022.

As viagens nacionais continuam a recuperar num crescente número de destinos, especialmente aqueles com mercados domésticos maiores, tal como todas as atividades relacionadas com a natureza e o turismo rural.

O Painel de Especialistas da OMT conclui que 61% dos profissionais veem melhores perspetivas para 2022, sobretudo no terceiro trimestre (verão no hemisfério norte).

64% dos especialistas considera que o regresso das chegadas internacionais aos níveis de 2019 não será até pelo menos 2024 (em setembro essa percentagem estava em 45%).

MELHOR EVOLUÇÃO NA EUROPA E AMÉRICA

As entradas de turistas estrangeiros rondaram os 415 milhões em 2021, frente aos 400 milhões em 2020, o pior ano na história do turismo mundial devido à prática paralisação da atividade em todo o planeta.

A Europa e a América tiveram melhores resultados em 2021, com aumentos de 19 e 17%, respetivamente, sobre 2020, mas permanecem 63% abaixo de 2019. Dentro destes continentes, destaque para a Europa mediterrânea e América Central, com crescimentos superiores a 50%.

Os melhores registos foram nas Caraíbas, com uma subida do turismo de 63% sobre 2020 e 37% abaixo de 2019, e com alguns destinos inclusivamente já em níveis pré-pandemia.

Enquanto isso, o aumento em África sobre 2020 foi de 12%, continuando 74% abaixo de 2019, e no Médio Oriente as chegadas caíram 24% (menos 79% que antes da covid).

Na Ásia e Pacífico -onde muitos destinos continuam fechados- as chegadas estão 65% abaixo das de 2020 e são 94% inferiores às de 2019.

AUMENTO DA DESPESA MÉDIA

A OMT calcula que a contribuição económica do turismo em 2021, medida em termos de produto interno bruto, foi de 1,9 biliões de dólares (1,6 biliões de euros), acima dos 1,6 biliões (1,4 biliões de euros) de 2020 mas substancialmente abaixo dos 3,5 biliões de dólares (3,1 biliões de euros) de 2019.

As exportações de serviços turísticos poderão passar os 700.000 milhões de dólares (614.800 milhões de euros) em 2021, com uma leve recuperação sobre o ano anterior, devido ao aumento da despesa por turista, mas ainda está longe dos 1,7 biliões (1,5 biliões de euros) de 2019.

A despesa por turista subiu de 1.300 (1.142 euros) a 1.500 dólares (1.317 euros) em 2021 graças ao crescimento da poupança, às estadias mais longas e à subida dos preços do transporte e alojamento.