EFEHaia

Uma maioria no Parlamento holandês apoiou esta terça-feira o ministro das Finanças, Wopke Hoekstra, na sua rejeição aos "coronabonds" para que países do sul da Europa pudessem enfrentar as consequências financeiras do coronavírus.

Numa sessão parlamentar realizada antes da sua participação na videoconferência do Eurogrupo prevista para a tarde desta terça-feira, Hoekstra ressaltou que é "imprudente e injusto" que todos os países da UE garantam "empréstimos sem condições" através de euro-obrigações aos países do sul, os mais afetados pelo coronavírus.

Além disso, explicou que mesmo que seja feito "com todas as boas intenções do mundo", a emissão de 'coronabonds' vai tornar a economia da UE "mais fraca, e não mais forte, e custar muito dinheiro aos Países Baixos".

O ministro defendeu como "razoável e sensato" estabelecer condições aos países que queiram salvar as suas economias com fundos emprestados do Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEDE), porque esses requisitos mínimos estão "no interesse dos Países Baixos" mas também "no interesse dos próprios países" que utilizam esse dinheiro.

Sem dar mais detalhes sobre as condições que quer que se apliquem "a cada euro emprestado", Hoekstra apontou como exemplo "a introdução de reformas económicas" nos países em causa e interrogou-se por que razão os holandeses "trabalham até aos 67 anos e noutros países apenas até aos 60".

Embora muitos eurodeputados tenham criticado a "forma" como o ministro se manifestou com os seus colegas europeus há duas semanas, a maioria no Parlamento Europeu considera as dívidas de países como a Espanha e a Itália como "uma hipoteca" e apoiou a recusa do executivo de Mark Rutte à emissão de 'coronabonds'.

"Não vamos tomar conta da hipoteca de toda a Europa. Não é não (aos 'coronabonds')", sublinhou Pieter Omtzigt, eurodeputado pelo Apelo Democrata Cristão (CDA), um dos partidos da coligação que governa os Países Baixos.