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O novo presidente do Eurogrupo, o ministro das Finanças irlandês Paschal Donohoe, afirmou hoje que as empresas tecnológicas devem pagar "agora e no futuro" mais impostos, mas defendeu a conceção de um sistema fiscal que não afete o "comércio global".

Donohoe fez estas declarações à emissora pública irlandesa RTE, após assumir a presidência do Eurogrupo na quinta-feira, numa votação em que derrotou a ministra dos Assuntos Económicos de Espanha, Nadia Calviño, e o homólogo luxemburguês Pierre Gramegna.

Ao ser perguntado sobre a questão de uma taxa digital europeia, o político democrata-cristão indicou que a sua "opinião geral" é que é necessário mudar a forma como as empresas do setor são tributadas na União Europeia (UE).

"Terão de pagar mais impostos agora e no futuro e a Irlanda vai desempenhar um papel para o conseguir", disse Donohoe.

O novo líder do Eurogrupo disse estar confiante em que "se pode chegar a acordo sobre esta questão", mas avisou que será necessário conceber uma estratégia fiscal que não prejudique o "comércio global".

"Vou apresentar a situação em termos simples, temos de encontrar uma forma de o fazer com a contribuição de todos os grandes países do mundo e reduzir os riscos para a Irlanda e a Europa", acrescentou Donohoe.

Aos olhos de alguns membros da Zona Euro, a Irlanda tem uma política tributária muito benéfica para as multinacionais e supostamente rejeita iniciativas que representem uma harmonização fiscal ao nível comunicado, como a taxa digital europeia.

Muitas das grandes companhias tecnológicas, como a Google, Facebook ou Apple, têm as suas sedes europeias em Dublin devido aos incentivos fiscais oferecidos pela Irlanda, onde, por exemplo, o imposto sobre sociedades é de 12,5%.