EFELisboa

Mesmo que sejam feitos progressos na utilização do chamado "passaporte covid" para a época do verão, 2021 "não será ainda um ano de forte recuperação para o turismo", disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, numa entrevista com a Efe.

"Ainda não virámos a página da pandemia, pelo que temos de ser muito prudentes e graduais", disse o ministro, que confia que o certificado verde digital, conhecido como "passaporte covid", proposto em março pela Comissão Europeia possa estar em vigor antes do verão.

Uma fórmula que "facilita a circulação entre países da Europa", assinalou o ministro, e que pode aliviar o "impacto negativo que a pandemia teve no turismo", embora não irá implicar uma "forte recuperação" e que os números deste ano "ainda estarão longe dos valores de 2019".

O certificado verde digital vai proporcionar informação sobre se o viajante está vacinado, se teve um teste PCR negativo ou se já passou pela doença.

Uma medida que, segundo Santos Silva, não é "discriminatória" para aqueles que ainda não foram vacinados porque "não é um passaporte, não é uma condição necessária para circular".

"As pessoas podem circular sem um certificado", salientou, mas este documento fornece informações que evitam a quarentena ou medidas adicionais.

O ministro português é prudente sobre a evolução da pandemia e, consequentemente, sobre a temporada turística, e aposta numa abordagem "gradual".

Contudo, reconhece o interesse de Portugal em recuperar o turismo britânico, um dos seus principais mercados, especialmente em áreas como o Algarve.

As autoridades portuguesas, admite, têm estado em contacto com as britânicas para "gerir um verão com o cuidado que a situação sanitária exige, mas tirando partido do facto de que a situação está a melhorar".

Os turistas britânicos representam perto de 20% dos estrangeiros que passam as suas férias em Portugal.

Portugal recebeu em 2019 cerca de 27 milhões de turistas, número que em 2020, devido à pandemia, desabou até aos 10,5 milhões de hóspedes em hotéis, menos 61,3% que no ano anterior.