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O antigo primeiro-ministro italiano e ex-presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, lamentou esta segunda-feira que a Europa não esteja a aproveitar uma "oportunidade única" para dar uma resposta conjunta à crise do coronavírus, o que poderá provocar um regresso aos nacionalismos.

"O facto de a Europa estar dividida não é um problema novo, mas pensei que esta crise, que vem de cima e que não é culpa de ninguém, podia ser o momento de mudança", criticou Prodi numa conferência de imprensa à distância com a Associação da Imprensa Estrangeira.

O antigo presidente da Comissão, que foi fundamental para a moeda única e para a expansão da UE a Leste, afirmou que os cidadãos "amam a Europa quando ela age, quando faz algo pelos cidadãos europeus".

Segundo Prodi, as discussões entre países como a Alemanha e os Países Baixos, por um lado, e Espanha e Itália, por outro, sobre os eurobonds e os fundos destinados à saída da crise dão asas a "um maior euroceticismo".

Prodi elogiou as medidas económicas tomadas pelas instituições europeias, especialmente o fundo para os subsídios de desemprego que Itália e Espanha reivindicavam, mas que são "medidas menores".

A mais importante para o antigo líder italiano é a dos eurobonds, embora considere a sua aplicação "difícil", pois significaria a mutualização da dívida dos países mais afetados pela pandemia e que tem a oposição dos países do norte, como os Países Baixos e a Alemanha.

O deputado advertiu a estes países para não "brincarem com o fogo", pois "a Europa está tão integrada que uma rutura em Itália prejudicará a economia alemã" e que, se estas discussões continuarem, "provocarão uma resposta anti-germânica em Itália e vice-versa".