EFETóquio

O regulador financeiro do Japão apresentou hoje uma denúncia contra o ex-presidente da Nissan Motor Carlos Ghosn e contra o próprio fabricante automobilístico japonês por supostas irregularidades na declaração de rendimentos.

A denúncia da Comissão de Vigilância de Valores e Mercados junta-se às acusações apresentadas pelo Ministério Público nipónico contra o executivo francobrasileiro por vários assuntos vinculados com a declaração do seu salário e com a gestão dos seus bens enquanto estava à frente da Nissan.

O regulador japonês acusa Ghosn e a Nissan de violar a lei de instrumentos financeiros por não ter declarado a totalidade do pacote de compensações ao diretor dentro do relatório financeiro apresentado a este organismo, segundo informou a Comissão de Vigilância de Valores e Mercados em comunicado.

A infração corresponde à remuneração do empresário entre março de 2015 e de 2018, segundo o regulador, que também apresentou uma denúncia contra Greg Kelly, outro ex-diretor da Nissan que, à semelhança de Ghosn, é acusado de definir uma série de medidas para ocultar rendimentos milionários do ex-presidente.

Ghosn permanece detido desde o passado 19 de novembro, e espera-se que esta sexta-feira um tribunal de Tóquio decida sobre a sua acusação por crimes similares a partir das acusações apresentados pela Procuradoria.

O empresário é acusado de não declarar rendimentos milionários acordados com a Nissan, que supostamente iria receber uma vez que se retirasse da companhia, e por realizar pagamentos a terceiras pessoas supostamente injustificados.

Além disso, segundo o Ministério Público, Ghosn utilizou a Nissan Motor para cobrir uma série de perdas financeiras pessoais durante a crise de 2008, mas os advogados defendem que essas operações foram aprovadas pela direção da empresa, pelo que não considera que se violou a confiança da companhia.

Por enquanto, só pesa uma acusação formal contra o empresário pela suposta ocultação de rendimentos entre 2011 e 2015, embora espera-se que a Procuradoria apresente outra acusação formal esta sexta-feira ou novas acusações contra si com o objetivo de prolongar a sua detenção.

O regulador financeiro japonês já apresentou outra denúncia em dezembro contra Ghosn, Kelly e a companhia japonesa por não declarar a totalidade das compensações do antigo líder da Nissan entre março de 2011 e de 2015.