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O novo ministro do Reino Unido do "brexit", Dominic Raab, apresentou hoje ao Parlamento uma nova proposta "prática" de relação bilateral com a União Europeia (UE) para quando este país deixar o bloco em 2019.

Raab expôs aos deputados os princípios do Livro Branco do "brexit", que enviou a Bruxelas para análise, que inclui propostas para uma associação económica, de segurança e em outras áreas, assim como um marco "constitucional" para a gestão e supervisão da futura relação.

O documento reflete o plano pactuado pelo Governo conservador na sexta-feira passada na residência oficial de Chequers, criticado pelos partidários de um "brexit" duro e que provocou a demissão de dois ministros, Boris Johnson e David Davis.

No entanto, Raab viu o seu discurso ser interrompido pouco depois de começar pelas vozes dos deputados, que se queixaram que não tinham recebido com antecedência uma cópia do Livro Branco.

Ao retomar a sessão alguns minutos depois, o porta-voz trabalhista, Keir Sturmer, lamentou que o novo ministro não tenha começado "bem" e disse que o "alvoroço" dos últimos 20 minutos era a prova de "que o Governo está imerso no caos".

O Livro Branco divulgado hoje detalha o Marco Futuro, que será complementar ao Acordo de Saída que também se negocia com a UE, e inclui propostas para uma associação em todas as áreas que o Reino Unido considera relevantes.

Tal como se anunciou na semana passada, na área económica, propõe a criação de "uma área de livre-comércio para bens", com legislação equivalente e um "esquema facilitado de alfândegas", que faria que este país e os 27 da UE funcionassem como "um território alfandegário combinado".

Isto, segundo afirmou Raab no prólogo do seu discurso, permitirá a continuidade de um "comércio sem atritos", ao mesmo tempo que evitará a imposição de controlos de fronteira, incluindo na fronteira entre Irlanda do Norte e República da Irlanda, uma exigência central dos negociadores da Comissão Europeia.

Em matéria de segurança, o Reino Unido ressaltou o seu "compromisso incondicional" com a segurança do continente e propõe uma nova associação na qual poderiam ser compartilhados "soldados" e a criação de mecanismos para a coordenação de políticos dos Negócios Estrangeiros e de Defesa.