EFETóquio

A Renault e a Nissan reafirmaram hoje a vigência da aliança que criaram há vinte anos, mas mantêm as suas diferenças sobre a conveniência de levá-la a um novo nível que derive na fusão das duas companhias.

O tema surgiu durante a assembleia de acionistas da Nissan Motor, realizada hoje em Yokohama, ao sul de Tóquio, dias depois das duas companhias manterem posições antagonistas sobre uma questão-chave programada para esta terça-feira.

A Renault tinha anunciado que se iria abster na votação para formar três novos comités de gestão corporativa, o que bloquearia a sua aprovação porque tem 43,4% do capital da Nissan e seriam precisos dois terços das ações.

No final, depois da Nissan aceitar acrescentar mais um representante da Renault a estes comités, a empresa francesa mostrou-se a favor de apoiar a proposta, que foi aprovada hoje com os votos suficientes dos acionistas.

Mas nas posições defendidas junto dos acionistas pelo presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, e o da Nissan, Hiroto Saikawa, surgiu de novo a possibilidade de que essa aliança se torne numa fusão.

Essa opção foi defendida pelo anterior presidente da Nissan Motor e da Renault, Carlos Ghosn, mas após a sua saída de ambas entidades devido à sua detenção em Tóquio por supostas irregularidades financeiras, Senard não a considera uma prioridade.

"Há vezes que (esse tema) cresce como uma bolha, e então sou acusado de fazer algo mau para a Nissan", afirmou Senard quando um dos acionistas pediu a sua opinião sobre o tema.

"De nenhuma forma esse tema será abordado sem o conselho de administração (da Nissan). É quem tem o poder de o fazer", ressaltou Senard, precisamente um dos conselheiros da empresa japonesa como representante da Renault.

A direção da Nissan mantém as suas reservas sobre essa possível fusão, e hoje mesmo Saikawa ressaltou que, no esquema atual, a aliança "respeita a independência de cada um". "Essa é a atitude com a qual vamos continuar com esta aliança", acrescentou.