EFEParis

Os advogados da Renault enviaram uma carta ao seu parceiro japonês Nissan para mostrar a sua preocupação com os "excessos nos métodos" da empresa e do "seu conselho jurídico para dirigir a investigação interna" sobre o seu ex-presidente, Carlos Ghosn.

Numa carta enviada à Nissan e publicada este domingo no Le Journal Du Dimanche (JDD), os advogados ressaltam que oferecem "apoio total na busca de possíveis más práticas no seio da Aliança Renault-Nissan" mas denunciam "a forma na qual alguns empregados da Renault foram tratados".

Trata-se de uma carta de 10 páginas nas quais os juristas do fabricante francês lamentam não terem sido informados anteriormente e de forma argumentada da operação lançada contra Ghosn, preso desde finais de novembro no Japão.

Umas práticas que prejudicam o espírito do acordo de cooperação entre ambas, afirmam.

A representação jurídica da Renault estima que o seu parceiro e o conselho deste procuraram elementos em França para assegurar a acusação contra Ghosn depois da sua detenção e sem o discutir antes com eles.

Práticas que vão até buscas nos apartamentos do responsável da Renault no Brasil, Líbano e Holanda, "onde podiam encontrar-se potencialmente documentos da empresa francesa".

"A Renault acumulou suficientes provas para compreender e lamentar quais eram os métodos utilizados pela Nissan e os seus advogados para tentar interrogar os seus empregados através do escritório do Procurador japonês", recriminam os advogados.

Ghosn, à frente de Renault desde 2005, foi detido em Tóquio no passado 19 de novembro e permanece em prisão desde então, alvo de uma investigação por abuso de confiança e por ter reduzido as suas receitas ao fisco entre 2010 e 2018.