EFEMoscovo

A Rússia disse esta quarta-feira estar disposta a negociar um corredor humanitário no Mar Negro para os barcos com cereais bloqueados nos portos de Ucrânia.

"Declarámos mais de uma vez que a solução do problema alimentar requer um enfoque global, que tem a ver com o levantamento das sanções às exportações e transações financeiras", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Rudenko, a um grupo de jornalistas, citado pela Interfax.

O ministro acrescentou que a Ucrânia deve também desimpedir todos os portos onde os barcos se encontram.

"A Rússia está pronta a dar um passo humanitário, que é algo que faz todos os dias", disse Rudenko.

Ao mesmo tempo, advertiu que a situação no Mar Negro será "consideravelmente agravada" se navios chegarem à região para escoltar embarcações com cereais, uma possibilidade avançada pelos meios de comunicação ocidentais.

O vice-ministro dos negócios estrangeiros refutou os relatos no Ocidente de que os militares russos estão a roubar cereais dos portos ucranianos que controlam.

"Rejeitamo-los totalmente. Não roubamos nada a ninguém", sublinhou.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou hoje a abertura de um corredor humanitário desde o porto de Mariupol, no Mar de Azov, até ao Mar Negro.

O porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, disse hoje que o porto de Mariupol, controlado pela Rússia, começou a funcionar com normalidade.

O chefe do Centro Nacional de Comando de Defesa da Rússia, o General Coronel Mikhail Mizintsev, acusou o Ocidente de tentar tirar os cereais da Ucrânia o quanto antes "sem se importar do que vai acontecer no país quando os silos ucranianos estiverem vazios".