EFEBruxelas

O presidente do Mecanismo Único de Supervisão da Zona Euro, Andrea Enria, disse esta quinta-feira que continuam a existir riscos apesar da recuperação económica devido à possível deterioração dos ativos bancários e à procura excessiva de rentabilidade, pelo que apelou à precaução e garantiu que vai continuar a monitorizar o aumento desses perigos.

"Estamos a sair gradualmente da pandemia com o que parece ser um processo rápido de recuperação económica. No entanto, a perspetiva de riscos ainda requer precaução. É muito cedo para cantar vitória", disse Enria numa ida ao comité de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu.

O chefe do supervisor, que integra o Banco Central Europeu (BCE), lembrou que a melhoria económica e a diminuição das incertezas levaram-no a retirar a recomendação de não distribuir dividendos, mas que apesar disso mantém-se a "flexibilidade de capital" para as entidades inicialmente anunciadas.

Isso significa que os bancos que utilizaram os seus colchões de capital durante a pandemia têm até ao final de 2022 para os completar.

Os testes de stress do BCE mostraram que, num cenário adverso de três anos, o rácio máximo de capital da banca europeia supervisionada se manteria muito perto de 10%, indicou Enria.

Contudo, ressaltou que o supervisor continua a vigiar "de muito perto o aumento de riscos nos balanços bancários", uma vez que, embora o número de créditos malparados ainda pareça "favorável" e as entidades esperem que continuem a cair em 2022, a qualidade dos empréstimos "parecem estar a deteriorar-se".

O supervisor observa ainda que as falências empresariais começaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano em alguns setores e que também se tem visto "um aumento nas vulnerabilidades no setor imobiliário residencial em alguns países".

"No geral, as projeções dos bancos sobre crédito malparado podem ser excessivamente otimistas. Os bancos devem permanecer cautelosos quanto à libertação de provisões e garantir que tenham controlos de risco de crédito adequados", disse.

O supervisor, acrescentou, foca-se nesse aspeto e também está a fazer análises mais aprofundadas em alguns setores, como alimentação, hotelaria ou imóveis comerciais.

Mas, além dos balanços, o BCE "olha cada vez mais para os riscos representados pela excessiva busca de rentabilidade dos bancos", que "alimenta o apetite por alavancagem" em certos segmentos de risco, bem como a "maior complexidade e opacidade dos mercados financeiros".

Enria sublinhou, a este respeito, que a exposição dos bancos a instituições financeiras não bancárias "poderá ​​ser fonte de preocupação", especialmente se não forem regulamentadas ou não forem muito transparentes quanto à sua situação de alavancagem.

Deu como exemplo o caso da Archegos, semelhante aos casos recentes da GameStop e Greensell, que foram episódios de colapso de sociedades de investimento nos últimos meses marcados por fenómenos de alavancagem.

O supervisor, disse, vigia os sistemas de gestão e controlo de risco dos banco paras "garantir que os crescentes sinais de exuberância no mercado não acabam por reviver ameaças à estabilidade financeira".