EFELisboa

A tensa relação entre o Governo do socialista António Costa e os parceiros privados da companhia aérea TAP - cujo principal acionista é o Estado luso - está ao limite após os maus resultados do primeiro semestre apresentados pela companhia, assegura o semanário luso Expresso.

Segundo a publicação, as perdas de 119,7 milhões de euros durante os seis primeiros meses do ano, apresentadas nesta sexta-feira pelo Grupo TAP, que inclui à companhia aérea, supõem um ponto álgido da já complicada relação entre as partes, e pode levar inclusive a explorar a chegada de novos parceiros a empresa.

"Havia uma perspectiva que este seria um ano diferente para TAP", diz o semanário, que "a sucessão de maus resultados fosse uma página virada", mas os números vermelhos mudam totalmente a paisagem.

TAP, cujo 50% está em mãos do Estado luso, enquanto outro 45% o ostenta o consórcio Gateway e o 5% restante os empregados, registrou nos primeiros seis meses deste ano umas perdas de 119,7 milhões de euros, número que supera as perdas de todo 2018 (118 milhões de euros).

Comparado com o primeiro semestre de 2018, no qual o grupo perdeu 90 milhões, a situação se volta ainda mais delicada entre o Executivo e os parceiros que conformam Gateway, o empresário português Humberto Pedrosa (uma das maiores fortunas do país) e o brasileiro-americano David Neeleman (dono da companhia aérea Azul).

Tanto, aponta Expresso, como para se plantear inclusive buscar outros parceiros para a TAP.

"Há algum tempo que nos bastidores do setor da aviação e financeiro há peças de xadrez que se movem para encontrar um novo parceiro", afirma a publicação, que aponta à alemã Lufthansa e a americana United Airlines como opções.

A tensão entre o Governo português e TAP escalou em junho passado, quando se soube que a companhia aérea tinha entregado prêmios econômicos a um grupo de trabalhadores apesar de ter registrado perdas milionárias durante 2018.

O mal-estar foi tal que o Ministério de Infraestruturas apontou então em comunicado que se tinha produzido uma "ruptura da relação de confiança entre a Comissão Executiva e o maior acionista de TAP, o Estado português".