EFEPequim

TikTok, a rede social chinesa vetada nos Estados Unidos por razões de segurança, assegurou hoje que irão fazer todo o possível para reverter essa decisão e, caso Washington se recusar, vão recorrer à Justiça americana.

Num comunicado publicado no seu site, a TikTok assegura sentir-se "surpreendida" pela ordem executiva assinada na quinta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, com a qual proíbe qualquer transação com o seu criador, a empresa tecnológica chinesa ByteDance.

"Vamos empregar todos os recursos (legais) à nossa disposição para garantir que não se descarta o Estado de direito (…), se não é com a Administração, será com os tribunais dos Estados Unidos", afirma.

A rede social, que conta com cerca de 100 milhões de utilizadores em solo americano, considera que não se respeitou os procedimentos devidos nem a lei, e que o Governo dos EUA nunca se prestou a procurar uma "solução construtiva".

A TikTok denúncia que na ordem de Trump se fala de informações sem fonte e de receios de que a aplicação "possa ser usada" para campanhas de desinformação.

A plataforma ressalta que os dados dos utilizadores que recebe entram dentro do "padrão da indústria para milhares de aplicações móveis em todo o mundo" e que nunca partilhou dados com o Governo chinês ou censurou conteúdos a pedido deste.

"Chegamos até a expressar a nossa disposição de pactuar uma venda completa do nosso negócio nos Estados Unidos a uma empresa americana", acrescenta a plataforma, referindo-se às negociações abertas com a Microsoft que, se fechadas, poderiam permitir-lhe permanecer ativa no país americano, onde tem uma grande popularidade.

No comunicado, a TikTok diz que a decisão de a vetar "cria um precedente perigoso para o conceito de liberdade de expressão" e pede aos seus utilizadores que exerçam "o seu direito a serem ouvidos", contactando os seus representantes políticos e mesmo a Casa Branca para mostrar a sua oposição à medida.

Entretanto, Pequim disse hoje que o veto da TikTok -Trump também assinou um em termos semelhantes contra o WeChat, o "WhatsApp chinês"- é um "ato de hegemonia sem vergonha" de Washington.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin disse que a China vai proteger os direitos e interesses das suas empresas e que os Estados Unidos "devem assumir as consequências das suas ações", embora não tenha especificado pormenores sobre possíveis represálias.