EFEParis

Os portos ucranianos não vão poder reabrir para a exportações de cereais num mínimo de seis meses e os envios por ferrovia são muito complexos e limitados, pelo que é necessário procurar alternativas a curto prazo para evitar problemas alimentares em certas partes do mundo.

Este é o diagnóstico de uma fonte governamental francesa, que ressalta que a invasão russa levou a Ucrânia a minar os seus portos para evitar que as tropas de Moscovo desembarcassem lá.

Esta medida bloqueou as saídas de cereais e óleos vegetais para países de África e Médio Oriente, bastante dependentes dos vastos campos ucranianos.

Para efetuar a retirada das minas seria necessário uma ação coordenada ao nível militar, que incluiria a NATO, e um acordo internacional que garantisse a passagem dos navios de grão, algo atualmente complicado, pois teria que envolver a Rússia, explicou a fonte a um grupo de jornalistas no âmbito de uma reunião do Grupo do (G7) que se realiza esta quarta e quinta-feira.

Esta reunião dos países mais industrializados irá abordar os desafios apresentados pela invasão russa para a segurança alimentar mundial.

Outra questão essencial é o estado das instalações portuárias ucranianas (terminais férreos, armazéns, gruas), cuja situação é desconhecida.

"Pensar na reabertura não é algo prático nos próximos seis meses", recapitulou a fonte.

Antes do começo do conflito, 30% das exportações mundiais de trigo mole e 13-15% das de milho procediam da Ucrânia e da Rússia.

As alternativas ferroviárias são limitadas. Em primeiro lugar, porque a Ucrânia partilha a bitola da antiga União Soviética, que é diferente da europeia, pelo que os envios para o oeste precisam de ser transferidos para outros comboios nas fronteiras (na Polónia, por exemplo).

Isto já é feito através da Roménia, mas de uma forma "muito limitada", uma vez que o porto de saída romeno só tem capacidade para lidar com 1 a 1,5 milhões de toneladas por ano.

Uma alternativa tecnicamente mais simples seria enviar os comboios pela Bielorrússia para a Lituânia, mas esta opção suscita dúvidas, uma vez que o Governo bielorrusso está totalmente alinhado com Moscovo e também sujeito a sanções internacionais.

Além disso, presume-se que a produção agrícola ucraniana irá sofrer, e não apenas este ano, devido à destruição dos caminhos de ferro, à perda de mão-de-obra mobilizada para a guerra, e à dificuldade de fornecimento de sementes e fertilizantes para as próximas estações.

Na sequência do bloqueio da Índia às suas exportações de trigo, que se junta ao da Indonésia às suas exportações de óleo de palma, a principal opção a curto prazo é redirecionar as remessas de outros países exportadores, como o Canadá, os EUA, a Austrália, a Argentina e o Brasil. A médio prazo, a produção terá de ser aumentada ao nível internacional.