EFEBarcelona

A comissária europeia de Concorrência, Margrethe Vestager, apontou que a União Europeia "teria tido outra forma de enfrentar" o caso Huawei do que os EUA e, no caso de ter visto razões para isso, teria seguido "as regras" e os procedimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Do ponto de vista europeu, acredito que teríamos encarado o tema de outro modo", explicou Vestager numa entrevista com a Efe, na qual indicou que, caso encontrasse "preocupações de segurança", a UE teria seguido "as normas estipuladas por todos, por exemplo o sistema da OMC".

"É muito importante para nós (Bruxelas), e vai no nosso interesse europeu, poder viver num mundo que está regulado por normas", acrescentou Vestager, que nos últimos cinco anos geriu com mão de ferro a defesa da concorrência empresarial leal e o comércio justo desde a Comissão Europeia.

Os Estados Unidos deram três meses para que as empresas americanas deixem de fazer negócios com a tecnológica Huawei, à qual acusa de colaborar em espionagem, e espera-se que a UE se pronuncie a partir de setembro sobre o caso e fixe os seus próprios padrões em matéria de segurança nas telecomunicações.

"Estamos a ver agora com os Estados membros se há preocupações de segurança na construção da rede 5G com a Huawei", confirmou.

Vestager enfatizou que não é a única diferença que a UE tem com os EUA pois, a Europa, disse, "tem um modelo de mercado social e justo".

A política dinamarquesa, que respondeu com um sorriso à pergunta de se no comércio internacional e perante os comportamentos de Washington e Pequim, Bruxelas se sente o único "adulto no quarto", defendeu "a forma de fazer as coisas europeias".

"Se o somos (o único adulto no quarto) acho que às vezes somos esquecidos. É esquecido que somos a região mais próspera do mundo, o maior bloco comercial e o parceiro preferido de 80 países", destacou.

Vestager advogou que a UE "tenha um papel mais forte no mercado global" e não tema em alçar a voz "pela concorrência justa nos mercados regidos por regras".