EFESão Paulo

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, assegurou que a proteção ambiental no seu país, questionada por vários países europeus, não vai ser um travão para ratificar o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

"O tema ambiental surge como um tubo de escape, e compete-nos deixar claro que a questão ambiental amazónica não está dentro da nossa produção", aclarou Mourão numa entrevista à Efe.

O acordo político entre o bloco europeu e o sul-americano, anunciado em junho de 2019 após duas décadas de negociações, foi travado em agosto de 2019, quando países como França criticaram a gestão ambiental do Governo de Jair Bolsonaro.

Por sua vez, os Países Baixos adotaram recentemente uma resolução no parlamento na qual se opunham à ratificação do pacto devido à deflorestação ilegal da Amazónia, entre outros motivos.

O vice-presidente ressaltou a "potência agrícola" em que o Brasil se tornou.

"Hoje alimentamos mais de um milhão de pessoas no mundo, com tendência a avançar mais. É o nosso 'hard power'. Somos competidores imbatíveis em soja, milho, carne, proteína animal de boi, suíno, aves, cítricos, sumo de laranja. Isso é uma ameaça para os produtores locais da Europa, que vão fazer a sua pressão".

Mourão apelou aos parlamentos nacionais da União Europeia e Mercosul, composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, para que ratifiquem o acordo alcançado para não serem "atropelados" por outros atores do mercado.

"O acordo vai trazer vantagens para ambos lados do Atlântico", anotou.