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A Visa tornou-se na primeira empresa do seu setor a aceitar o pagamento de transações com uma moeda digital, a USDC, cujo preço está vinculado ao dólar, e pretende continuar a avançar para atender à crescente procura e uso de novas formas de dinheiro através das suas redes globais.

O vice-presidente de Fintech, Alianças Digitais e Empreendedorismo da Visa América Latina, Arnoldo Reyes, disse à Agência Efe que a empresa não se podia manter indiferente ao crescimento do universo das moedas digitais.

Na América Latina, especialmente no Brasil, no México e na Argentina, estes ativos são vistos como um "refúgio" diante da volatilidade das moedas locais, pelo que já são conhecidas, em certa medida, segundo Reyes, como "ouro digital".

Para levar adiante esta iniciativa pioneira, a Visa conta com parceiros como o Anchorage, primeiro banco de ativos digitais autorizado pelo Governo americano; a Ethereum, uma das plataformas de código aberto mais utilizadas com base em blockchain; e a Cripto.com, uma das maiores plataformas de dinheiro digital do mundo.

INICIATIVA PIONEIRA

A Visa estabeleceu "um caminho para a liquidação da moeda digital dentro da infraestrutura de tesouraria existente da empresa, uma plataforma que movimenta bilhões de dólares todos os dias através de milhares de instituições em mais de 200 mercados e 160 moedas", informou a companhia em comunicado.

Além disso, a Visa optou por uma moeda digital conhecida como estável e que, ao contrário das criptomoedas, é apoiada por uma entidade governamental e tem o seu preço indexado ao dólar.

Por enquanto, a USDC é aceite para a "liquidação" de transações através da rede Visanet por empresas e carteiras de moeda digital, casas de câmbio digitais e outros integrantes do ecossistema Fintech.

No entanto, de acordo com o comunicado, a Visa planeia "oferecer capacidade de liquidação USDC a outros parceiros no final deste ano".

De acordo com Reyes, a incorporação de moedas digitais marca um passo importante na estratégia da empresa, que foi concebida para melhorar todas as formas de movimentação financeira.

O executivo lembrou ainda que o fundador da Visa, Dee Hock, que criou a companhia em 1958, antecipou que o dinheiro se tornaria digital e seria movimentado de forma instantânea e segura.

"Aproveitando a sua presença global, o seu enfoque de associação e a sua marca de confiança, a Visa está focada em agregar um valor diferenciado ao ecossistema e em tornar as moedas criptográficas mais seguras, úteis e aplicáveis aos pagamentos", destaca o comunicado.

No entanto, Reyes explicou que, por enquanto, a Visa não considera a possibilidade de realizar um projeto semelhante com criptomoedas como o bitcoin, cujo valor aumentou muito rapidamente durante a pandemia de covid-19.

De acordo com a Visa, a capacidade de efetuar pagamentos em USDC pode permitir que a Crypto.com e outras empresas nativas de criptomoedas avaliem, fundamentalmente, novos modelos de negócio, sem a necessidade de contar com dinheiro fiduciário dentro dos seus fluxos de trabalho de tesouraria e liquidação.

As atualizações das funcionalidades de tesouraria da Visa e a sua integração com o Anchorage também reforçam a capacidade da multinacional amricana de apoiar diretamente as novas moedas digitais do banco central (CBDC) à medida que estas forem surgindo.

"As 'fintechs' da Cryptocurrency querem parceiros que compreendam os seus negócios e as complexidades de como as moedas digitais são utilizadas", afirmou o vice-presidente executivo e chefe de produto da Visa, Jack Forestell.

Forestell também destacou que o aumento da capacidade de resposta às necessidades das fintechs que geram negócios em criptomoedas estáveis ou voláteis é "realmente uma extensão do que a Visa faz todos os dias: facilitar pagamentos com segurança em todas as diferentes moedas do mundo".