EFEMérida

O guitarrista do grupo IZAL, o extremenho Alberto Pérez, considera que a música é "uma radiografia" do estado de ânimo, dos anseios e desvelos, e que o êxito da banda se deve a "um crescimento orgânico".

Ajustada a essa radiografia, "a essa instrospecção", desenha-se o último trabalho do grupo, "Autoterapia", com o qual aterram no Festival Stone Music de Mérida, a "poucos quilómetros onde nasci, Calamonte", uma pequena aldeia de Badajoz onde aos nove anos começou a tocar guitarra.

Numa entrevista à EFE, o "calamontenho" saiu do seu lar familiar em 2009, "em plena crise económica e de trabalho", para tentar que os seus sonhos musicais se tornassem realidade. "É difícil encontrar projetos -de música- fora dos meios de Madrid, Barcelona e Valência", acrescenta.

"Sabia que era difícil e complicado ir à aventura, mas era o meu momento vital", confessa Alberto Pérez, que, já disposto a revelar alguns segredos, conta que chegou ao grupo IZAL através de um curriculum e uma prova musical pela internet. "Vi um anúncio e lancei-me... e aqui estou".

Em Madrid matriculou-se na Escola de Música Moderna e tocou em vários grupos até que chegou a oportunidade de entrar no grupo liderado por Mikel Izal, vocalista e compositor. "Começamos num quarto sem janelas e todo o dinheiro que ganhava -trabalhou na elaboração de relatórios técnicos para o desdobramento de fibra óptica- destinava-o à música", a instrumentos, ao grupo.

Pérez considera que boa parte do êxito do grupo radica em que seus cinco membros dirigiam sempre os seus esforços, os seus tempos e a sua dedicação ao grupo. "Quando se dirige os anseios e vontades ao mesmo próprio ponto é mais provável que as coisas corram bem", afirma.

Por isso, classifica de "milagre" que cinco pessoas, cada uma com a sua idiossincrasia, "o seu próprio mundo", estejam tão coordenados na busca de "um mesmo objetivo: fazer música".