EFEMérida

A Junta da Extremadura vai fazer parte do desenvolvimento do projeto "Biotrans", uma iniciativa de cooperação entre Espanha e Portugal para a "Gestão Integrada da Biodiversidade Transfronteiriça", financiado com mais de três milhões de euros e com um calendário de execução de três anos (2019-2021).

O diretor-geral de Meio Ambiente da Extremadura, Pedro Muñoz, apresentou esta segunda-feira em conferência de imprensa este projeto Interreg, do qual o seu departamento é coordenador e principal beneficiado.

Muñoz destacou que o "Biotrans" é o único projeto de conservação da natureza concedido nesta convocatória para qualquer região fronteiriça e também o único que conta com a participação das duas administrações com a competência em Conservação de Espaços Naturais e Espécies Protegidas.

O seu objetivo é a gestão integrada da biodiversidade na Euroregião EUROACE (Centro-Alentejo-Extremadura) através da implementação de ações acordadas entre Portugal e Espanha para proteger e conservar grupos biológicos e espécies identificadas na região.

A Direção Geral de Meio Ambiente extremenha, como beneficiado principal, desenvolve ações no valor de 2.018.860 euros, 75% dos quais vão estar co-financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), pelo que a contribuição da Extremadura será de 504.715 euros.

Os parceiros do projeto são, além da Junta da Extremadura, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas de Portugal, a Universidade de Évora, a Deputação de Badajoz, a Fundação CBD para a Conservação da Biodiversidade e o seu Habitat e a Associação Nacional de Conservação da Natureza de Portugal.

Entre os objetivos específicos do Biotrans está a melhoria do conhecimento e do estado de conservação de espécies de flora e fauna ameaçada, como o lince ou a toupeira-da-água; e de outras raras e desconhecidas como os quirópteros, entre os quais se destacam mais de 16 espécies diferentes de morcegos em diversos refúgios da fronteira.

O projeto vai também analisar outras espécies como os ratos-de-Cabrera e lusitano ou aves estepárias como a ganga, o cortiçol-de-barriga-preta e o alcaravão.

Pedro Muñoz explicou que o projeto vai ainda servir para conhecer a verdadeira distribuição de espécies, como o gato-montês, que nos últimos tempos parece que praticamente desapareceu de ambos territórios.

Quanto à flora, serão estudadas espécies frequentes em ambos territórios, nas devesas e montados, como o lírio lusitano ou diferentes tipos de orquídeas.

Segundo o diretor-geral de Meio Ambiente da Extremadura, o "Biotrans" procura ser um "modelo de gestão de um território rural europeu transfronteiriço que irá integrar os seus habitantes com a natureza e com a conservação da biodiversidade".