EFEBadajoz

Perto de 750 moradores de Olivenza (Badajoz) pediram a nacionalidade portuguesa desde 2014, 500 dos quais já a obtiveram, segundo dados apresentados pelo presidente da associação Além Guadiana, Joaquín Fuentes.

É o denominado "cartão de cidadão luso", que este grupo impulsiona há três anos.

Fuentes explicou à EFE que os valores demonstram o excelente acolhimento da ideia nesta cidade vinculada historicamente com Portugal.

Com o "cartão de cidadão" adquire-se a cidadania portuguesa, o que vem com um factor simbólico para os habitantes desta localidade, que foi portuguesa até 1801.

Assim, a nacionalidade portuguesa abre portas, especialmente à população jovem, na procura de trabalho tanto no país vizinho como nas nações de língua portuguesa, entre os quais Brasil, Angola ou Moçambique.

Além disso, isto oferece ainda mais oportunidades desde um ponto de vista turístico, tanto pelo poder de atração de cidadãos portugueses como pela originalidade que o cariz luso-espanhol do município representa.

"O visitante passeia por Olivenza e vê monumentos de época lusa, a dupla toponímia das ruas em castelhano e português, ou a cultura misturada em tradições, festas e música", explicou o presidente do Além Guadiana.

Fuentes também destacou os efeitos positivos na cultura, pois "não se entenderia adquirir a nacionalidade lusa desde um ponto de vista simbólico sem um interesse por aprofundar na cultura portuguesa".

Definitivamente, a possibilidade da dupla nacionalidade luso-espanhola vê-se desde enfoques "muito diferentes", desde o simbólico ou afetivo ao cultural ou económico.

O interesse por esta iniciativa ultrapassou também os limites de Olivenza, pois descendentes de oliventinos emigrantes, residentes agora em outras comunidades autónomas, também solicitaram o "cartão de cidadão".

Segundo Joaquín Fuentes, esta é uma iniciativa que tem vindo a crescer em paralelo ao maior sentimento de dupla identidade experimentada pelo município nos últimos três anos, que se demonstra na inquietação cidadã por conhecer o passado da vila ou no aumento de associações que abordam este matérias, entre outros.

As administrações também se envolveram mais neste impulso, destacou.