EFEMérida

O Festival Internacional de Cinema de Marvão (Portugal) e Valencia de Alcántara (Extremadura) baixa esta terça-feira o pano de fundo da sua sétima edição, com o filme de animação "Buñuel en el laberinto de las tortugas" como o grande vencedor.

A cidade portuguesa de Marvão e o município extremenho de Valencia de Alcántara, separados por não mais de 30 quilómetros, compartilham e oferecem há sete anos este festival cinematográfico, uma proposta cultura que acolheu também concertos, exposições ou degustações gastronómicas.

Após nove dias recheados de atividades, o festival fecha esta edição que, além disso, aprofundou a situação dos direitos humanos na Colômbia e propõe, ano após ano, percorrer esses quase 30 quilómetros para participar na cultura de ambos lados da Raia.

Cerca de trinta filmes de ficção, documentários e de animação integraram o cartaz cinematográfico deste festival, cujos ecrãs ficaram em zonas emblemáticas ao ar livre da Raia luso-espanhola, como antigas alfândegas e estações ferroviárias, museus, lagares de azeite e outros exemplos do património cultural raiano.

A cerimónia de encerramento, que será realizada no Museu Vostell, em Malpartida de Cáceres, será marcada pela entrega do Prémio do Público ao melhor filme projetado nesta edição, que recaiu em "Buñuel en el laberinto de las tortugas", baseado na banda desenhada homónima do ilustrador Fermín Solís.

Co-produzida pela empresa extremenha The Glow Animation Studio, o trabalho narra a história de como o cineasta Luis Buñuel rodou o seu segundo filme, o documentário "Las Hurdes, tierra sin pan".

Fermín Solís e o produtor executivo, José María Fernández de Vega, serão os encarregados de receber a estatueta do prémio, obra da escultora portuguesa Maria Leal da Costa.

Após a cerimónia vai-se projetar o filme "Jaar, o lamento das imagens", de Paula Rodríguez; um trabalho inspirado no artista Alfredo Jaar, cujas obras abordam problemas sociais graves em diferentes partes do mundo e pelas quais a realizadora faz uma viagem que a leva pela Finlândia, Veneza, Buenos Aires, Santiago e Nova Iorque.

Este Festival Internacional de Cinema de Marvão e Valencia de Alcántara conta com o patrocínio da Junta da Extremadura e o programa de cooperação transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal 2014-2020 do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), entre outras entidades extremenhas e portuguesas.

A secretária-geral de Cultura da Extremadura, Miriam García Cabezas, sublinhou a aposta deste certame pela qualidade, pois sempre projeta "uma cuidada seleção" de títulos que têm uma grande sensibilidade com as temáticas abordadas, com um cenário e uma atenção especial aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Ao longo de sete edições, o certame foi tecendo uma rede de nós que foram cosendo a Raia desde ambos lados, "demonstrando uma irrenunciável marca transfronteiriça".

Entre os filmes que se projetaram, destaque para o filme vencedor, assim como "Messora de Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", do realizador português João Salaviza, filme que ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival de Cannes 2018; "Siembra", de Ángela Osorio e Sérgio Lozano, e "Renault 12", de Mohammed El Khatib.

A sinergia do cinema de autor e os direitos humanos chegou pelas mãos de "Hiper-mulheres", um documentário de Carlos Fausto, Leonardo Selte e Takumã Kulkuro e uma conferência a cargo de Rosa Maren sobre a criação de renas e a mudança climática no Ártico.

Para o público infantil, o festival programou vários títulos, entre os quais se destaca "Macedónia de Filminhos", uma mostra de 11 pequenos trabalhos emoldurados num projeto educativo com participação de centros de Alter do Chão, Avis, Campo Maior, Crato, Castelo de Vide, Portalegre e Sousel.

Pela primeira vez na sua história, o Festival contou com a presença da Associação Extremenha de Comunicação Social (Aecos), que organizou uma mesa radiofónica na qual participou a Plataforma Extremenha de Solidariedade com a Colômbia.