• Colombo era português? ADN de há 500 anos poderá revelar o mistério
  • Lisboa, 17 jul (EFE).- Ainda que a teoria mais aceite pelos especialistas aponta que Cristóvão Colombo tenha nascido em Génova, nem todos descartam que fosse catalão, galego ou português, e um grupo de investigadores lusos vai pôr a toda prova esta última tese graças a uma amostra de ADN de há 500 anos.

    O próprio filho do descobridor da América, Fernando Colombo, contribuiu para a aura de mistério que existe sobre a origem do seu pai ao não revelar o seu lugar de nascimento na biografia que escreveu sobre ele, o que gerou múltiplas teorias entre os investigadores.

    A Universidade de Coimbra e o Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa vão comprovar uma destas hipótese: se o navegante era português e, além disso, se o seu nome real era Pedro Ataíde, como era conhecido um corsário luso do século XV.

    Esta tese foi desenvolvida pelo professor Fernando Branco, do IST, num livro publicado em 2012 sob o título "Cristóvão Colombo, Nobre Português", no qual se recolhem mais de meia centena de coincidências entre a vida do navegante e a de Pedro Ataíde.

    Ataíde foi dado como morto na batalha naval do Cabo de São Vicente em 1473, onde combateu junto a um corsário francês chamado Culon.

    Segundo a tese de Branco, Ataíde conseguiu salvar-se e chegar a nado até à costa do Algarve, onde decidiria trocar o seu nome para Pedro Colombo (ou Culon) por motivos de segurança, já que a família Ataíde era perseguida em Portugal após participar numa trama para matar o rei João II.

    "Há um conjunto de indícios que apontam a que seu verdadeiro nome era Pedro Colombo. Nunca escreveu o seu nome como Cristóvão Colombo. Assinava como almirante ou com uma assinatura encriptada na qual se podem ler várias coisas, entre elas 'Pedro Colombo'", explicou Branco à EFE.

    A biografia de Colombo afirma que o navegante chegou a Portugal em 1476 a nado após um naufrágio, o que reforçaria a tese que agora vai colocada à prova.

    O grupo de investigadores da Universidade de Coimbra e do IST vai analisar ADN extraído dos ossos do primo direto de Pedro Ataíde e compará-lo com o ADN do seu filho Fernando, que já foi sequenciado em Espanha em 2006.

    "Estou quase seguro que o seu nome era Pedro Colombo. Falta comprovar se existe relação com Pedro Ataíde", sustenta Branco.

    Esta prova só será possível se os ossos do primo de Ataíde estiverem em bom estado, detalhe que se desconhece porque ainda não se abriu o túmulo na qual se encontra sepultado.

    Os investigadores esperam poder fazê-lo após o verão, uma vez conseguida a autorização das autoridades para abrir o túmulo, um processo que demorou vários anos.

    "Primeiro fará-se uma análise para corroborar que é um homem e tem uma idade compatível. Depois vai-se retirar uma amostra óssea para realizar a análise medicinal", relatou à EFE a antropóloga legista Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra e também integrada no projeto.

    Está previsto enviar a amostra à Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha, onde será analisada.

    A tese de Fernando Branco, que inclusivamente foi reconhecida pela Academia de História portuguesa, poria em xeque a origem genovesa de Colombo, ainda que não é a única que aponta a que nasceu em Portugal.

    O investigador luso Manuel Rosa, estabelecido nos Estados Unidos, assegura que o descobridor da América nasceu na ilha da Madeira e era filho de um rei polaco derrotado pelo Império Otomano.

    Outra hipótese, defendida pelo já falecido Augusto Mascarenhas Barreto, assinalava que Colombo nasceu na Villa de Cuba, no Alentejo, e foi um espião ao serviço do rei João II que tinha como missão afastar os espanhóis do caminho conhecido para as Índias.

    Fora das fronteiras lusas, apontou-se a uma possível origem espanhola do navegante (principalmente galego e catalão, mas também estremenho, andaluz e inclusive basco) e à sua procedência inglesa, grega, norueguesa ou croata, entre outras.

    Paula Fernández