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Os advogados do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, vão pedir que o seu cliente seja libertado sob fiança, considerando que existe vulnerabilidade ao novo coronavírus na prisão onde se encontra detido.

O ativista está em prisão preventiva em Belmarsh, no sudeste de Londres, e tem contra si um pedido de extradição dos Estados Unidos por ter divulgado informações confidenciais sobre a política externa do país há dez anos.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, a equipa de advogados de Assange, liderada pelo ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, explicou que será apresentado um pedido ao tribunal porque as prisões são consideradas epicentros da disseminação do coronavírus.

"Não são só os prisioneiros que têm as vidas em risco, os funcionários e as suas famílias também. Os Estados Unidos e o Irão libertaram milhares de prisioneiros de baixo risco", diz o comunicado.

Os advogados lembram que a Associação de Oficiais Prisionais do Reino Unido comparou o risco de infeção nas prisões do país com o dos cruzeiros.

"O Governo (do primeiro-ministro britânico Boris) Johnson ainda não libertou prisioneiros de baixo risco, embora tenha soltado 300 pessoas de centros de detenção de imigração. Julian Assange pertence a uma categoria de pessoas que devem ser libertadas para mitigar o impacto do coronavírus", destacou o texto.

O julgamento da extradição do ativista estava marcado para fevereiro, mas foi transferido para 18 de maio. Os advogados de defesa admitem, contudo, que poderá haver uma nova alteração de datas devido à epidemia de coronavírus.

Assange, que teve prisão decretada em 2010 no Reino Unido a pedido da Suécia, sob a acusação de crime sexual -que já está arquivado-, passou os últimos dez anos confinado, primeiro em prisão domiciliar e depois na embaixada do Equador em Londres, até ao Governo sul-americano retirar o seu estatuto de refugiado em 2019.

O ativista foi de seguida detido e levado para Belmarsh, que segundo os advogados tem aproximadamente 800 detidos e a maior taxa de suicídios do Reino Unido.