EFEInnsbruck (Áustria)

Os Governos da Alemanha, Itália e Áustria acordaram esta quinta-feira, em Innsbruck, onde se realiza um conselho de ministros da Justiça e Interior comunitário, cooperar intensamente para reduzir "possivelmente a zero" a imigração ilegal para a União Europeia (UE).

"As coisas são relativamente simples: nós três concordamos que queremos colocar ordem" num âmbito onde durante muito tempo reinou certa desordem, disse aos jornalistas o ministro do Interior da Áustria, Herbert Kickl, de extrema-direita, depois de se reunir com os seus homólogos italiano e alemão antes do conselho.

Trata-se de "enviar uma clara mensagem que no futuro não deverá ser possível pisar em solo europeu se não tiver direito a proteção", acrescentou.

A fim de avançar rapidamente "neste projeto de travar ao máximo a imigração e levá-la para zero", será organizada uma reunião dos três países ao nível técnico no próximo dia 19, em Viena, afirmou o ministro austríaco.

Já o ministro e vice-presidente italiano, Matteo Salvini, disse que a partir de agora os três países trabalharão para reduzir "as partidas (de fora da Europa para a Europa), desembarques e mortes (no Mediterrâneo)".

Com isso, a Itália, que "não deve continuar a ser o único ponto de chegada" de refugiados, espera uma "redução dos problemas, dos custos económicos e sociais de uma imigração que não estamos em condições de continuar a apoiar", acrescentou.

Da mesma forma que os seus homólogos, Salvini, líder da Liga, partido de extrema-direita, mostrou-se satisfeito com o resultado da "boa conversa" mantida e a cooperação acordada, "que não seria possível há um ou dois anos".

O ministro italiano defendeu dar mais apoio às autoridades líbias para impedir que as pessoas deixem o seu território para a Europa e mudar a legislação internacional que regulamenta o salvamento marítimo de refugiados no Mediterrâneo.

O Governo italiano agora espera que a "UE esteja finalmente em condições de proteger as suas fronteiras externas e reduzir os fatores de risco", afirmou.

O ministro alemão, o conservador Horst Seehofer, ressaltou que "a questão de quem recebe asilo na Europa" não deve ser decidida por traficantes de pessoas, mas pelos "Governos eleitos democraticamente".

"Isto une-nos completamente e agora esperamos com atenção uma conversa com o comissário (europeu de Imigração, Dimitris) Avramopoulos, que nos dirá como a Comissão (Europeia) abordará" a nova postura na política de imigração.

Os três ministros realizaram uma reunião trilateral hoje, antes de participarem com o restante do grupo dos Vinte e Oito num Conselho informal na cidade de Innsbruck, capital do Tirol austríaco, centrado na questão migratória.