EFEBerlim

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, mostrou-se esta quarta-feira cético em relação à vacina russa contra a COVID-19, a primeira registada mundialmente, ao referir-se à falta de transparência por parte das autoridades de Moscovo.

"O problema é que sabemos muito pouco, porque as autoridades russas não agem de forma muito transparente", disse o ministro, em entrevista à emissora de rádio "Deutschlandfunk", afirmando ver a vacina russa "com grande ceticismo", entre outras coisas, pois a fase 3 do estudo não foi realizada.

Spahn alertou que, na ausência do estudo clínico entre milhares de voluntários, "pode ser perigoso começar a vacinar milhões, senão biliões de pessoas, demasiado cedo", pois se der errado, pode causar muitos danos à aceitação pública das vacinas.

"Eu ficaria muito feliz se tivéssemos uma boa primeira vacina, mas depois de tudo que sabemos -e esse é o problema subjacente, os colegas russos dizem-nos muito pouco- não está suficientemente comprovada", afirmou.

Spahn também criticou que "não se trata de ser o primeiro", mas de ter "uma vacina eficaz e comprovada e, portanto, também segura" para imunizar a população. "E essa é a parte importante", salientou.

Para se ter confiança numa vacina é muito importante, também no caso de uma pandemia como o coronavírus, "fazer os estudos de uma forma limpa, realizar os testes correspondentes e, sobretudo, torná-los públicos", reiterou Spahn.

O presidente russo, Vladimir Putin, garantiu esta terça-feira que a vacina, registada naquele mesmo dia no Ministério da Saúde, que será comercializada sob o nome de Sputnik V, é "suficientemente eficaz", "cria imunidade estável" e "passou por todas as verificações necessárias".